Cinismo da esquerda brasileira transforma militares em inimigos quando poderiam ser aliados

Pedro Ribeiro


 

A esquerda brasileira esta a beira de um colapso nervoso, em certa dose vitima de um cinismo patológico do qual se retroalimenta desde a campanha eleitoral. Ela se escandaliza com a presença de sete militares entre os 22 que ocupam a Esplanada do Ministério do presidente Jair Bolsonaro e tentam de todo modo pintar o governo com inclinações ditatoriais e fascistas. Não poupam adjetivos do gênero.
Chega a ser risível o nível de comportamento e de argumentos que ela utiliza muitas das vezes. E contam de certa forma com a simpatia e o beneplácito de uma parte da imprensa ideológica e corporativamente alinhada, ou contrariada em seus interesses pelo novo governo. Logo ela, que pretendiam regulamentar e disciplinar quando governava o PT.
Mas, contraditoriamente ao que insinua, ela conta com plena liberdade para fazê-lo e não se importa com esse paradoxo. Até aí, nada demais, faz parte do jogo democrático, de oposição, mesmo o uso de discurso despropositado, como se a veste de eventual farda fosse condenável e prenúncio do Apocalipse.
Curioso é que nunca contestaram a origem e o uso da mesma indumentária, com cores de outro pavilhão, quando o tenente-coronel Hugo Chaves governava a Venezuela, antes de falecer e deixar o posto ao atual presidente Nicolas Maduro. Nem mesmo levanta a voz para condenar a ditadura do ex-motorista de ônibus que agora governa aquele País, com uma acintosas e caótica ditadura, transformando o país em palco de uma das maiores tragédias humanitárias contemporâneas. Pelo contrário, essa mesma esquerda não se furtou em enviar para a posse do ditador a esvoaçada presidente do PT Gleisi Hoffmann para representa-lo.
Achar que os militares de hoje tem perfis de ditadores devido aos rígidos costumes de disciplina no ambiente da caserna, e que por isso eles não tem formação democrática, é  sofisma raso e cínico. Fosse como hoje a esquerda brasileira, notadamente o PT, quer fazer a população acreditar, não teria Lula assumido duas vezes cargo de Presidente da República, antes de ser enjaulado em Curitiba, preso por corrupção. E nem os militares teriam se submetido à Constituição do País quando o poste, como sugeriu Lula se referindo a Dilma Roussef, ocupou a presidência e expandiu o lodaçal de corrupção no qual o PT e toda a esquerda se banharam.
Os militares são por natureza nacionalistas, com certa inclinação pela presença de um Estado forte, estatizante, que comande a econômica, e nisso se confunde um pouco com a própria esquerda, exceção dos costumes, da ética dos propósitos. O mundo não vive mais sob a Guerra Fria como nos anos de 64 quando a pretensa ameaça comunista assustava os militares e eles tomaram o poder e com ele abrindo espaço para todos os horrores. A União Soviética, farol do socialismo, desmoronou.
Chega a ser irônica agora essa metamorfose da esquerda brasileira em se apoiar e alimentar uma imprensa contrariada em seus interesses para tentar, desde logo, desgastar o governo Bolsonaro. E se dizer escandalizada com a presença expressiva de militares no ministério.
Pela forte cultura nacionalista que domina a caserna, deveria elogia-los, os militares deveriam ser vistos mais , como potenciais aliados do que inimigos para combater a política liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. O liberalismo do ministro já colocou na planilha a necessária venda da maior parte das mais de 400 estatais do Pais. Na contramão do pensamento militar. O ex-presidente general Geisel, jamais permitiria.
O estrago que o PT e a esquerda brasileira fizeram foi tão grande que até os militares agora estão se tornando liberais.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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