Colapso no sistema de saúde pode elevar o cenário de conflito no país

Pedro Ribeiro

Secretários da Saúde pedem toque de recolher em todo país e governadores criticam comunicação do Governo Federal por divulgar dados imprecisos.
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O Brasil passa de 255 mil mortes desde o começo da pandemia, há um ano. Infelizmente,  o País contabiliza seus mortos no momento em que há recrudescimento do coronavírus e suas variantes, prevendo colapso hospitalar em várias cidades. Curitiba já está com 95% dos leitos hospitalares ocupados.

“Estamos passando o pior momento da pandemia até porque, diferentemente de outros períodos, temos vacinas e elas não estão disponíveis”, observa o deputado estadual e médico, Michele Caputo.

A médica infectologista e presidente da Comissão de Infectologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, Thaís Guimarães, fez uma declaração que apavora. Segundo ela,  “vamos ter pessoas morrendo em casa ou morrendo na porta dos hospitais, porque não vamos ter onde interná-las. Vamos ter um cenário de guerra”. Sua declaração sobre o possível colapso do sistema de saúde foi transmitida pela CNN.

Em meio à crise da saúde pública, que ocorre nas cinco regiões do país, a CNN ouviu especialistas sobre as previsões para as próximas semanas epidemiológicas.

“O cenário da pandemia para as próximas semanas se revela dramático. O que foi vivenciado em Manaus é o que devemos ter no resto do país nas próximas semanas”, diz Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Segundo a epidemiologista Ethel Maciel, apenas medidas rígidas de restrição da circulação podem coibir o colapso.

O que poderia mudar esse cenário é uma vacinação rápida, com mais de 1 milhão de pessoas sendo vacinadas por dia. Estamos colhendo agora a inação de 2020.

SECRETÁRIOS E GOVERNADORES REAGEM AO COLAPSO

Este delicado momento levou o Conselho Nacional de Estados da Saúde (Conas) a emitir um documento à Nação, com apelo ao governo federal, pedindo toque de recolher em todo o país. A entidade solicita a proibição de eventos presenciais como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e similares em todo o país.

Para evitar o colapso no sistema público de saúde, o conselho também requer a suspensão das aulas presenciais em todos os níveis da educação do país . O documento solicita também o fechamento de praias e bares, a adoção de trabalho remoto e o aumento da testagem contra a doença.

Antes mesmo da nota do Conas, 19 estados da federação haviam decretado toque de recolher contrariando a vontade do presidente Jair Bolsonaro que insiste em ignorar as determinações de entidades mundiais da saúde.

Em resposta às contrariedades de Bolsonaro que quer que o cidadão saia às ruas para trabalhar, o documento mostra assinaturas de  governadores aliados do presidente. Todos estão preocupados com o cenário crítico e o colapso iminente em todo o País.

O vice-presidente, Hamilton Mourão foi mais comedido em sua declaração a respeito e disse que  as restrições, como fechamento do comércio, servem de “paliativo”, já que a saída é vacinar a população. “A única saída é vacinar todo mundo, o resto tudo é paliativo. A saída é a gente conseguir ir vacinando todos aí, consequentemente teremos condições de ter uma vida normal”, disse.

VIOLAÇÕES DAS MEDIDAS SANITÁRIAS

A crise no país ocorre poucas semanas depois do carnaval, cujas comemorações foram proibidas pelas autoridades em 202. No entanto, diversos casos de violações das medidas sanitárias foram observados neste período.

“O colapso está relacionado a este evento, mas não é só por conta do carnaval. Temos o efeito das variantes e das aglomerações que ocorreram naquele momento. Esses dois elementos tiveram uma combinação desastrosa. Mas pode ser que outras coisas estejam contribuindo para o agravamento da crise, e a gente não tem pesquisa para ter certeza”, disse Ethel Maciel à CNN Brasil.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal