Com as calças na mão passando a bola para frente

Pedro Ribeiro

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Só não contaram para o famoso  presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, que haveria uma onde de radicalismo de esquerda no Brasil após a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da prisão. Esta reação do ministro de manifestar preocupação da convocação por parte da militância petista de confrontar instituições democráticas no país, entre elas o Congresso Nacional e a própria corte é, no mínimo, estranha para não dizer ingênua.

Depois da lambança,  que motivou a volta do povo nas ruas e inflamou os ânimos dos dois lados – petistas de bolsonaristas – o ministro vem a público para dizer que “o Judiciário e a Justiça são feitos para a pacificação social. Se alguém quer se valer da Justiça para uma luta social, não vai conseguir. A Justiça não tolerará uma crise institucional e saberá agir a tempo e a hora”, afirmou, sem mencionar nomes.

O que dizer dos milhões de brasileiros preocupados com a soltura de perto de cinco mil presos, muitos deles violentos, que deverão ser beneficiados com a decisão do Supremo Tribunal Federal, com voto decisivo de Toffoli, que barrou a prisão em segunda instância?

FORÇAS ARMADAS

Agora Toffoli apela para dizer que “radicalismo não leva a lugar nenhum. O que se espera é que as pessoas tenham serenidade e pensem no Brasil”. O presidente do Supremo declarou, ainda, que “a nação brasileira é devedora das Forças Armadas para a construção do Brasil e para a unidade nacional, assim como o Judiciário”. E completou: “O Judiciário saberá agir no momento certo”, disse o ministro ao Estadão.

A impressão que temos é a de que o Supremo Tribunal Federal vendo que poderá haver confrontos entre esquerda e direita, ou seja, entre radicais de ideologias diferentes no país coloca a responsabilidade, primeiro nos ombros do Congresso Nacional como a única instituição que pode reverter a posição do próprio STF que eles mesmo criaram e agora também depositam nas fardas dos generais de plantão – forças armadas – a garantia da democracia e da paz.

Estranho que, num momento de crise na América Latina, o ministro da suprema corte não tenha percebido isto. Poderia, no mínimo, ter adiado a votação e a conseqüente decisão.

Agora quer sair de mansinho falando em Estado de Direito.

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.