Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Copel deixa Porto de Cima, em Morretes, 19 horas sem energia. Puro descaso

 Enquanto os burocratas da Copel, incluindo seu presidente, Daniel Pimentel Slaviero, seus diretores e asses..

Pedro Ribeiro - 29 de dezembro de 2021, 14:12

(Rodrigo Félix Leal/AEN)
(Rodrigo Félix Leal/AEN)

 

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Enquanto os burocratas da Copel, incluindo seu presidente, Daniel Pimentel Slaviero, seus diretores e assessores não tiram os olhos dos grandes telões dos computadores e comemoram os lucros obtidos pela empresa – R$ 2,9 bilhões – em 2021 – em Morretes, no litoral paranaense, o bairro de Porto de Cima fica exatamente 19 horas sem energia elétrica, com prejuízos aos usuários comuns e donos de pousadas e restaurantes. Neste dia 28 de dezembro, às 18h25 min., houve, como é normal, mais uma tempestade de verão no município e a empresa demorou, 19 horas para resolver o problema, sob a alegação de falta de equipamento.

Um pé de palmito juçara caiu sobre os fios de distribuição de energia da Copel em frente à base da Polícia Militar e dos Corpos de Bombeiros. Foi o suficiente para que toda a comunidade do Porto de Cima ficasse sem energia elétrica. Normalmente, a equipe de operários e técnicos da companhia resolvem o problema em uma ou duas horas. Mas, desta vez, foram longas horas. As pessoas se deslocavam até a cidade (centro) de Morretes para saber o que estava acontecendo, já que não havia comunicação por telefone e a resposta era única: tivemos várias ocorrências e não temos equipamentos para solucionar determinados casos, como o que aconteceu na Reta do Porto.

A pergunta que se faz é curta e grossa: onde estão os investimentos que a Copel afirma terem feitos, depois do bilionário lucro, se não equipou a empresa responsável pela manutenção e distribuição de energia em Morretes, já que a alegação foi a de que não tinham um caminhão “munque” para realizar os serviços e dependia de reforços de Paranaguá ou Curitiba?

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Fazendo uma analogia com o filme “Não Olhe para Cima”, a Copel de Morretes muito bem sabe que é preciso, sim, olhar para o céu e principalmente para as montanhas. No verão, a cada ronco de trovão nas montanhas do Marumbi, todos sabem, vem chuva e, com ela, transtornos, porque Morretes, além de situar-se entre morros, é uma cidade localizada aos pés da Serra do Mar e em plena Mata Atlântica. Os técnicos da Copel sabem disso.

Uma cidade, como Morretes, que busca tecnologia de ponta para se transformar em “cidade inteligente” e que precisa do turismo para sua sobrevivência, não pode ter uma Copel negligente, sem estrutura para atendimentos emergenciais.

Uma cidade turística, com 15 mil habitantes, não pode sofrer descaso como esse do Governo do Estado, através de sua bilionária empresa que cobra uma das tarifas de energia mais cara do país (culpa, é claro, da Anel), deixando milhares de pessoas 19 horas sem energia elétrica. Empresários, donos de bares e restaurantes tiveram enormes prejuízos, além dos consumidores comuns, que perderam comida por terem suas geladeiras fora de funcionamento por quase 20 horas.

Basta trovões roncares no conjunto Marumbi para que a cidade sofra apagão. Não queremos ser levianos e responsabilizar a equipe de operários, mas somos consumidores e temos o direito de responsabilizar os dirigentes da empresa que devem ressarcir os prejuízos causados pela demora no atendimento aos usuários, à população.

É preciso que equipes de manutenção das linhas de transmissão percorram todo o trecho para colocar fim às gambiarras que vimos ao longo da Reta do Porto e onde um simples pé de palmito provocou um apagão. Os Bombeiros, se fossem chamados (não poderiam porque a comunicação não funcionava) não tinham como atender a casos emergenciais.

A Copel, principalmente seu presidente, tem que pedir desculpas à população de Morretes e, efetivamente, investir em equipamentos para que casos como esse não aconteçam mais.

Ou fazer uma comunicação aos turistas que visitam a cidade para que não esqueçam de trazer, em sua bagagem, meia dúzia de velas.

COPEL MOBILIZA 300 ELETRICISTAS PARA ANTER DANOS DO TEMPORAL

A Copel mobilizou mais de 300 eletricistas para atender os estragos causados pelo forte temporal que atingiu Curitiba e algumas cidades da região metropolitana e do litoral durante a tarde e início da noite desta terça-feira (28). A ventania causou estragos na rede energia de São José dos Pinhais, Tijucas do Sul, Morretes e Antonina. Em Morretes, 1,2 mil unidades consumidoras amanheceram sem energia em uma área em que a rede de energia foi quebrada pela queda de árvores de grande porte. A Copel restabeleceu a maior parte ainda pela manhã e 91 clientes, atendidos por redes destruídas que ficam em meio à mata com difícil acesso, ainda permanecem sem energia. A companhia permanece com equipes trabalhando na região.