Copel justifica reajuste da tarifa com investimentos de seus lucros

Pedro Ribeiro


Ao justificar seus históricos de lucros, a Copel explica que os reajustes das tarifas de energia elétrica são decididos pelo Governo Federal através da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e que vem fazendo um dos maiores investimentos no Estado que somam R$ 5,9 bilhões.

“É a tarifa que garante o equilíbrio econômico-financeiro da empresa e assegura os investimentos previstos para ampliação, melhoria e modernização da rede de energia do Paraná”, pontua a empresa em nota oficial.

A Copel está realizando o maior programa de investimentos em energia da sua história. Entre 2019 e 2021, o investimento somado é de R$ 5,9 bilhões. Somente em redes de distribuição de energia a Copel está aplicando, apenas nos últimos três anos, mais de R$ 3,2 bilhões.

Além de diversas obras e melhorias, como subestações, linhas de distribuição em alta tensão e redes de baixa tensão, a Copel está implantando os dois maiores programas do gênero em curso no país: o Paraná Trifásico vai, até 2025, modernizar a rede de energia rural com 25 mil quilômetros de linhas trifásicas; o Rede Elétrica Inteligente é a maior iniciativa de automação da leitura do consumo de energia da América Latina, com 1,5 milhão de clientes, cerca de 5 milhões de paranaenses, beneficiados na primeira fase, até o fim de 2022.

A crise hídrica está afetando a produção de energia elétrica nas usinas movidas a água em todo o Sul e Sudeste do Brasil. Isso levou o Operador Nacional do Sistema a lançar mão da geração de energia por fonte termoelétrica movida a combustível fóssil. O custo na geração desse tipo de energia é mais elevado, o que levou a ANEEL a aplicar a “bandeira tarifária de escassez hídrica”, uma decisão federal que tem impacto direto também no Paraná.

Uma conta de energia com consumo médio de 200 kWh (quilowatt-hora), padrão para uma família de classe média, está sendo impactada em 20% no custo com a nova “bandeira tarifária de escassez hídrica”. Importante notar que tais recursos têm como destino a ANEEL, para “custear os custos excepcionais do acionamento de usinas térmicas e da importação de energia”, segundo a própria agência informa. Não ficam, portanto, com as empresas de energia dos Estados.

Ainda sobre o tema famílias no Paraná, aquelas de baixa renda que consomem até 120 kWh por mês não pagam a conta de luz, que é coberta pelo governo do Estado. No total, 200 mil famílias, ou cerca de 800 mil paranaenses, são beneficiados pelo programa Luz Fraterna atualmente. Outras 178 mil famílias, ou mais de 700 mil paranaenses, que consomem mais que 120 kWh, porém menos que 220 kWh, têm descontos de 10% na fatura de energia.

Em 2020, a Copel teve reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de não cobrar Pis/Cofins na tarifa de energia, medida originada em ação que tramitou na Justiça por dez anos e de alcance nacional. Como resultado imediato disso, ainda em 2020 a Copel conseguiu baixar a tarifa de energia no Paraná em 3,8%, na média, beneficiando diretamente o consumidor residencial. A decisão judicial gerou um crédito de R$ 3,9 bilhões, recursos sobre os quais a Aneel debate a melhor forma de restituição aos clientes.

A Copel também colocou em operação em agosto a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Bela Vista. Instalada no rio Chopim, entre os municípios de Verê e São João, no sudoeste do Paraná, a usina, com 29,81 MW de potência instalada, teve investimento de R$ 224 milhões e a energia produzida nessa usina vai atender ao consumo de 100 mil pessoas.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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