CPI da Covid mira Palácio do Planalto e acerta governos estaduais

Pedro Ribeiro


 

A CPI da Covid, que investiga ações do governo federal em relação ao enfrentamento da pandemia que já vitimou 400 mil pessoas no país, começou quente, com discussão e muitos questionamentos. Toda artilharia está voltada para o Palácio do Planalto e os ministérios da Saúde e Economia. São perto de 300 pedidos de investigações. Entre eles, requerimento ao governo federal “cópia do inteiro teor dos processos administrativos concernentes à celebração de contratos de fornecimento de vacinas contra a Covid, bem como de seus insumos, ainda que não tenham sido concluídos”. A CPI da Covid também questiona recursos aos governos estaduais.

habitantes para o combate à Covid-19, bem como de todos os bancos de dados criados pelos respectivos órgãos policiais, relativos à mesma matéria”.

A CPI também vai apurar a atuação do governo federal no incentivo ao uso de medicamentos como a cloroquina. A comissão requisitou ao Ministério da Saúde “todos os documentos, produzidos no Ministério ou sob sua guarda, que recomendem, avalizem, incentivem ou tolerem, direta ou indiretamente, o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, ainda que para uso preventivo da doença ou logo após os primeiros sintomas, inclusive documentos e informações produzidas por aplicativos de informática como o TrateCov, desenvolvido pelo próprio Ministério”.

O Palácio do Planalto terá também que disponibilizar planilha eletrônica “contendo os registros (data, local, autoridades envolvidas etc) relativos aos deslocamentos do presidente Jair Bolsonaro pelo comércio de Brasília e entorno do Distrito Federal desde 01/03/2020”. Para críticos do presidente, esses deslocamentos são indevidos, pois estimulam aglomeração. O pedido aprovado, porém, foi sugerido por um aliado do Palácio do Planalto, senador Eduardo Girão (Podemos-CE).

Para apurar a responsabilidade da gestão Bolsonaro no colapso do sistema de saúde na capital do Amazonas, a CPI também solicitou que as autoridades sanitárias estaduais e municipais de Manaus encaminhem todos os pedidos de auxílio e de envio de suprimentos hospitalares, feitos ao governo federal, assim como as resposta que foi recebida.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, reagiu com irritação quando os senadores do Amazonas, Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), este último presidente da CPI, pediram para que o requerimento fosse corrigido para inclusão das autoridades estaduais, já que inicialmente estavam citadas apenas as municipais. A sugestão foi acatada após um intervalo na sessão que contribuiu para esfriar os ânimos.

Seguindo o propósito apoiado por Bolsonaro de que a comissão investigue possíveis desvios de recursos em governos estaduais e municipais, a CPI aprovou também requerimento para que o Ministério Público Federal e as 27 Procuradorias Gerais de Justiça (dos Estados e do Distrito Federal) enviem “cópia integral de todos os inquéritos ou investigações em qualquer fase, relativos à aplicação de todos os recursos federais destinados aos Estados, DF e Municípios de até 200 mil

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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