Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Curitiba perto do lockdown e o debacle de Greca

João ArrudaO prefeito Rafael Greca é um político rolha, aquele surfa conforme a onda. Já foi do PDS, passou pelo ..

Pedro Ribeiro - 19 de junho de 2020, 11:06

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João Arruda

O prefeito Rafael Greca é um político rolha, aquele surfa conforme a onda. Já foi do PDS, passou pelo PDT, seguiu para o PFL, mudou para o MDB, depois para o PMN e agora no DEM. Greca pretendeu se comportar da mesma forma, que já é repugnável, nesta pandemia do coronavírus. Exerce o mandato de prefeito como se fosse candidato a reeleição, muda de opinião a cada dia, cada hora e a cada minuto.

Poucos dias atrás, manda fechar o comércio, depois manda abrir, depois diz que nunca mandou fechar ou abrir. Na TV, chora e nas lives, detona os idosos e deficientes que usam o transporte coletivo. Os curitibanos já estão até acostumados com o nonsense do prefeito, mas o combate ao vírus exige medidas fortes e não ficar balangando conforme a ocasião.

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O e pior: o vacilão passou a brocha para a secretária municipal de saúde que passou a vociferar e ameaçar todos na imprensa e o prefeito se recolheu nas redes sociais, deleta os questionamentos e rebate grosseiramente os críticos.  Curitiba não merece ser governada pelo facebook.

Eu não exerço nenhum cargo público neste momento. Sou mais um empresário preocupado com a saúde e economia do Paraná e, em especial, com Curitiba e região metropolitana. Por isto, não consigo calar diante do que vem acontecendo. Como se não bastasse confrontar a contaminação de um vírus mortal, ainda temos que enfrentar a inércia do prefeito e de seu atual padrinho político.

Proibiram o funcionamento de atividades, trancaram as pessoas em casa e ficaram esperando o vírus ir embora. Ele não foi. Ficou à espreita do cidadão, aguardando que a falta de orientação e fiscalização criassem a sensação de que tudo havia voltado ao normal. Pois é, foi o que aconteceu.

Gradativamente as pessoas foram retomando as atividades, ocupando as ruas e os espaços públicos e coletivos. Conforme fomos baixando a guarda - e as máscaras - passamos a ser novamente contaminados e os leitos de hospital voltaram a ser ocupados. Os índices se tornaram alarmantes.

A situação chegou ao ponto da prefeitura correr para negociar junto ao  hospitais particulares a contratação de leitos de UTI. Mais uma demonstração da falta de planejamento. A solução encontrada, mais uma vez, foi fechar tudo. Diante da proporção que problema atingiu, infelizmente se fez necessário.

Porém, esta medida desagradou àqueles que estavam fazendo a sua parte. As academias de ginástica, por exemplo, que há duas semanas reabriram as portas sob um regime duríssimo de biossegurança, estavam agindo com responsabilidade, tentando sobreviver no meio do caos. Manter empregos e o negócio em pé. Novamente, a falta de organização e fiscalização, fez com que os "bons pagassem pelo maus".

Enquanto isto, os ônibus continuam circulando abarrotados de gente. E o pior, o próprio prefeito declarou que está pagando para as concessionárias pelos lugares vazios, para que os ônibus trafeguem com somente 50% da lotação.

Ou seja, a prefeitura paga por passageiros que não estão utilizando o transporte público, mas as empresas de ônibus permitem a entrada destes passageiros e ainda cobram a passagem que já está sendo paga pela prefeitura. Acredite se quiser. Esta é mais uma das trapalhadas do prefeito no enfrentamento da pandemia e no desperdício do dinheiro público.

Mas não vou apenas criticar, temos que  falar do presente e do futuro. Do que podemos fazer agora para remediar esta terrível situação. Enquanto esperamos o pior passar, precisamos criar protocolos específicos para as mais diversas áreas produtivas, sociais e esportivas. Tentar o caminho que ninguém tentou ainda. Definir regras claras e eficientes para que possamos conviver e produzir enquanto aguardamos que esta peste seja erradicada do nosso estado.

Porém, criar regras não é o suficiente. Também se faz necessário um grande programa de conscientização e fiscalização. Precisamos do comprometimento da sociedade na implementação destas medidas de profilaxia e da fiscalização pelos órgãos públicos competentes.

Nesta retomada, temos que buscar a unidade daqueles que não pensam somente na eleição. O momento é de co-criação. Os gestores públicos devem ser os articuladores de uma grande parceria entre empresários, especialistas, estudantes, startups e todas as mentes brilhantes e criativas que dispomos.

Precisamos  inovar.  Buscar novos caminhos para pelo menos mitigar o impacto do vírus em nossas vidas. Colaboração é palavra de ordem. Eu estou disposto a contribuir, pensando e articulando soluções. Vamos passar por esta juntos. Traremos Curitiba de volta à normalidade, ainda mais alegre e produtiva.

João Arruda é empresário e presidente do MDB do Paraná.