Davos mais parece convescote de ricos e banqueiros discutindo divisão do dinheiro no mundo

Pedro Ribeiro


 

A julgar pelas ausências expressivas dos líderes mais importantes que hoje comandam o planeta, a edição deste ano da Cúpula de Davos organizada pelo Fórum Econômico Mundial se assemelha mais a um convescote de gente rica e de banqueiros. Em metáfora exagerada, espécie de reunião entre líderes para discutir campeonatos da terceira divisão do dinheiro do planeta. Ainda que lá estejam reunidos representantes de 65 países e outras 3 mil pessoas de todos os matizes para discussões de variados assuntos em câmaras setoriais.

Mas faltaram as principais lideranças, como presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, da Russia, Vladmir Putin, da China Xi Jinping, a primeira ministra  da Inglaterra Theresa May, o primeiro ministro da França Emmanuel Macron, dentre outros. E mesmo que tenham mandado representantes, seus vice-presidentes ou vice-primeiro-ministros, não é a mesma coisa. Podem se expressar sobre diretrizes de planos de seus governos, diplomaticamente, mas não para que se assumam compromissos mais efetivos.

No final, a Cúpula de Davos, vai acabar produzindo como sempre muitas novas teses e documentos, uma papelada sem fim, para deleite de acadêmicos, após reuniões e mais reuniões e á exemplo dos anos anteriores pouca coisa de prática vai ser feita na adoção de medidas para que o mundo corrija seus problemas.

Cada vez mais a concentração de renda do planeta se acentuará, concentrando renda e aumentando a população de miseráveis, que não tem o que comer. E a cada edição, este assunto é pauta e toma horas de discussões em encontros setoriais de especialistas no assunto e autoridades dos países e dos ricos e banqueiros presentes em Davos.

A imprensa mundial, de uma maneira geral, gosta disso. Gosta dessas teses que vão pautar os meses do ano as entrevistas, debates em academias, seminários, novos congressos e reportagens sobre o assunto, e assim vamos vivendo em um moto-contínuo desigual e injusto do planeta.

A ausência dos líderes de países mais expressivos, cada um com suas justificativas de impedimento por questões internas a serem tratadas, deixa-se de estar discutindo e falando publicamente sobre assuntos que de fato interessa. Como por exemplo, a guerra comercial que se trava agora entre Estados Unidos e China, seus impactos na economia do planeta e no desenvolvimento dos países e qual o impacto que isso terá na perspectiva de crescimento ou crises em cada um deles.

E como fazer para minimizar o sofrimento do descalabro criminoso e desumano do fluxo migratório que ocorre no mundo por gente famélica em luta por sobrevivência.

Com essas ausências, é de certa forma natural que os holofotes tenham se direcionado para a novidade da onda nacionalista do mundo e estes trópicos, no caso o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Parte da imprensa cobra agora o fato dele não ter feito um discurso mais longo e contundente, com detalhamento de temas sobre as reformas e políticas que pretende adotar para governar o País. Ainda que isso fosse importante, é de se perguntar, que efeito teria se quem precisaria ouvir estava a milhares de quilômetros de distância.

Para discutir detalhamentos, alguns ministros seguiram com ele para a Suiça e o fizeram, como é o caso de Paulo Guedes, da Economia, e Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública.

Dizem que Bolsonaro perdeu a oportunidade de falar ao mundo com seus econômicos 16 minutos dos 45 que lhe estava franqueado. Mas, que importância prática isso de fato teria para o mundo?

 

 

 

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="588560" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]