Declaração de Boulos sobre ameaça à propriedade de Bolsonaro, mais um tiro no pé do PT

Pedro Ribeiro

 

Jair Bolsonaro não é santo e todo mundo sabe disso. Muitos, inclusive, o chamam de maluco devido ao excessivo fundamento militar e a obsessão por armamento que assusta o pacato povo brasileiro. Agora, não se pode admitir, que um cidadão, como Guilherme Boulos, candidato à Presidência da República com o pior desempenho do seu partido, o PSOL, venha a público – em comício – incitar a invasão da residência do candidato do PSL junto com o Movimento dos Sem Teto.

Essa atitude demonstra o despreparo político de Boulos e seu pífio resultado nas urnas, onde conseguiu, em todo o país, apenas 617 mil votos ou 0,58% do total válido. Neste momento, não importa as urnas, ou a desastrosa derrota do candidato, mas a manutenção da democracia e principalmente da ordem no país.

Assim começou e inflamou: “ocupa (referindo-se ao seu grupo de ocupação de casas) terrenos improdutivos e a casa de Bolsonaro não parece ser muito produtiva”. E o povo gritava: “Bolsonaro, presta atenção, a sua casa vai virar ocupação”, para delírio de Boulos.


Essa trágica ameaça provocou revolta não apenas de Bolsonaro, que reagiu sustentando sua ideia de armar o povo para defender sua propriedade e sua integridade física, como também prometeu enquadrar o grupo de Boulos como terroristas. Foi mais um balde de água fria na campanha de Fernando Haddad. Agora tem dois inconsequentes ao seu lado: Guilherme Boulos e José Dirceu.

Jair Bolsonaro publicou uma resposta neste domingo nas redes sociais, ao lado da esposa: “Esta ameaça vai ser transmitida pela mídia ou só quando eu responder como defenderei minha família e propriedade, tentando me imputar novamente como o maior vilão do universo?”.

Bolsonaro gravou um vídeo ao lado da esposa, Michelle, em que diz que Boulos o ameaçou naquele comício e então fez uma defesa da posse da arma e de fogo “para o cidadão de bem” e o excludente de ilicitude para quem matar um invasor de propriedade.

Patético, o candidato derrotado tentou se explicar, dizendo que “foi uma ironia”. A campanha para a Presidência da República, entre Bolsonaro e Haddad, não pode descambar para o lado da incitação à violência. Os marqueteiros, dos dois lados, devem conduzir seus trabalhos de forma a não levar à democracia a um retrocesso, o que não será bom para o país. Devem, sim, estimular o debate, com propostas para a nação e seu povo. Só isso.

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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