Desemprego e geração de emprego. Este é o tema que Bolsonaro tem que colocar na mesa dos brasileiros

Pedro Ribeiro


O presidente Jair Bolsonaro estará hoje, às 16 horas, em Curitiba, onde será recebido no Palácio Iguaçu pelo governador Ratinho Junior. Durante a semana, foi grande a movimentação junto à imprensa para o credenciamento de jornalistas. Foram tantas as exigências que alguns órgãos de comunicação desistiram de enviar repórteres credenciados. O Paraná Portal está credenciado para a cobertura do evento.

Pergunto. Que cobertura? Será que os repórteres terão oportunidade de fazer perguntas ao presidente? Não me refiro a apenas as perguntas do dia a dia sobre armas, diminuição do poder do ministro Sergio Moro, que está perdendo o Coaf, cortes no orçamento das universidades, entrevero entre militares e seu guru, o astrólogo Olavo Carvalho? Ou ainda sobre a interferência de seus filhos em sua gestão.

Se tivermos a oportunidade de falarmos com o presidente, o que acho difícil, nossas perguntas seriam sobre o desemprego e o aumento da miséria no país. Tipo: Senhor presidente! Em quatro meses de governo, o senhor pode relatar à sociedade o que foi feito com vistas à geração de emprego? Como o senhor pretende reduzir o número do desemprego, hoje perto de 13 milhões de desempregados? Como o senhor pretende solucionar o problema do saneamento básico no país, onde 100 milhões de brasileiros não contam com rede de água tratada e esgoto?

É claro que o problema do armamento também deverá fazer parte das perguntas do jornalistas, bem como sobre a reforma da Previdência, a questão da Venezuela e outros. Esta questão das armas, sua bandeira na campanha, parece ser, hoje, a coisa mais importante em seu governo.

Como bem colocou em sua coluna de hoje, no Estadão, a jornalista Eliane Catanhêde: “parece obsessão e é mesmo: com tantos problemas gravíssimos no Brasil, econômicos, fiscais, sociais, éticos, o presidente Jair Bolsonaro só pensa em ampliar a posse e agora escancarar o porte de armas a níveis nunca antes vistos ou imaginados. Assim, causa a euforia dos armamentistas e o pânico dos que são contra. Pode-se deduzir que Bolsonaro dedicou os dois primeiros projetos realmente dele à flexibilização da posse e do porte de armas por uma questão político-eleitoral. Ele estaria dando satisfação a seus eleitores e mantendo a “bancada da bala” nutrida e unida a seu favor. Mas não é só”.

“Por trás dos decretos, está a paixão incontida do presidente por armas, uma paixão que ele transferiu de pai para filho e transformou em política de governo num país onde tiroteios, balas perdidas e mortes de policiais, criminosos, cidadãos e cidadãs comuns são parte da paisagem. Multiplicar as armas em circulação vai reduzir esse banho de sangue? Se até policiais justificadamente armados morrem nos confrontos a tiros, por que os leigos estarão mais protegidos?, questiona a jornalista

Em relação ao porte de arma, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou nesta quarta-feira (9) que o decreto do presidente Jair Bolsonaro que flexibiliza o porte de armas excede em alguns pontos as atribuições do Poder Executivo, invadindo as prerrogativas dos parlamentares. Maia disse que pediu ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que o governo reveja esses pontos.

“A gente precisa discutir a questão das armas, a gente não pode fazer uma interpretação excessiva e ampliar ainda mais a violência que existe no Brasil. Vamos avaliar junto com a nossa assessoria sobre o que pode ter sido usurpado e dar atenção a esse tema que tem mobilizado a sociedade brasileira nas últimas horas”, ponderou.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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