A difícil missão de Ricardo Barros

Pedro Ribeiro


Hábil negociador, principalmente nos bastidores, o ministro Ricardo Barros mergulha de cabeça na campanha que pretende eleger sua esposa, Cida Borghetti, governadora do Paraná. Ela deve assumir o cargo em abril, quando permanecerá até as eleições de outubro e onde é candidata, no caso, à reeleição.

Barros, que deixou o Ministério da Saúde e foi considerado pelo presidente Michel Temer como um dos melhores colaboradores de sua equipe de governo, não tem medido esforços para assumir, ao lado da esposa, os comandos do executivo paranaense.

Para isso, tem tentado convencer partidos e lideranças políticas a entrarem no projeto de Cida Borgethi, para o Governo do Paraná. A lógica de Barros é que Cida, que em praticamente todas as pesquisas de intenção de voto não ultrapassa a margem de erro, sempre entre 2% e 3,5%, quando assumir como governadora a partir de 8 de abril mudará radicalmente esses índices.

Quando conversei com o ministro, no final do ano passado, disse que, a partir de abril, Cida pularia de 3,5% para 5% a 6% e, depois, seu  número mágico é 15%. Ou seja, um crescimento de 500% se consideramos que hoje o nome Cida Borghethi é uma opção para apenas 3,5% dos candidatos.

Na visão estratégica de Barros, esse crescimento se dará em apenas dois meses, que é o período efetivo onde Cida, como governadora, poderá liberar alguns recursos, inaugurar obras e outras ações de visibilidade. Depois da convenção partidária, quando for oficialmente candidata à reeleição, seu nome não poderá constar sequer no site oficial do governo. Regras eleitorais.

Outro ponto que o ministro não está considerando é que o governo também tem ônus. Cida não terá apenas um cenário cor-de-rosa ou multicolorido. Governar é administrar problemas. Não estarão encerradas as demandas dos funcionários públicos, dos professores, as escolas que a operação Quadro Negro revelou não construídas, os problemas de saúde, segurança, presídios, estradas. E ainda tem a questão da base na Assembleia.

Vejam bem. Ratinho Júnior, que também é pré-candidato ao Governo do Paraná, tem um grupo que reúne 14 parlamentares, número que poderá aumentar até o final da janela partidária, no dia 7 de abril. Enfim, muito mais ônus que bônus. E ainda de quebra, Cida será a candidata oficial de Beto Richa. Vale lembrar que os índices de desaprovação do atual governador oscilaram no final do ano passado entre 73% e 58,%.

Para consolidar seu desejo, o ministro Barros e os aliados de Beto Richa terão que suar a camisa. E, se Ratinho Junior conseguir, efetivamente, mais apoiadores na Assembleia Legislativa, Cida terá dificuldades para administrar o Estado em tão curto espaço de tempo.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.