Distração de um astronauta em órbita

Pedro Ribeiro


Por: Alceo Rizzi

Governo anda tão errático, atordoado e acuado com a calamidade sanitária provocada no País pela estupidez e orgulho de ignorância da presidência, que se esquece ou tem receio de anunciar suposto desenvolvimento de uma vacina contra a Covid com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Só se dá conta de comunicar depois que o governo de São Paulo anuncia o desenvolvimento de uma vacina pelo Instituto Butantan, que espera estar disponível a partir do segundo semestre, apesar da pixotada em dizer que era exclusivamente nacional e omitir que ela tem origem em pesquisa americana.

A negação da Ciência pelo presidente, com as frequentes sabotagens das recomendações sanitárias, dia sim e outro também, assusta e amedronta quem pode eventualmente estar fazendo algum esforço, como é o caso dessa vacina. Tomara que ela não seja igual ao anúncio que ele fez no início da pandemia, de um vermifugo que dizia se tratar de um potente remédio de combate ao vírus.

Nessa barafunda de agora, parece que entrou em órbita pela segunda vez, só que agora em terra firme, o nosso ministro e primeiro astronauta do País a ir para o espaço. Ou numa hipótese, não de toda impossível, ainda não voltou de onde esteve. Ainda que não se trate apenas dele, e se tenha certa condescendência à omissão, quando a inocuidade e a agressividade em relação ao assunto é pautada pelo comando da nave, não há instrumento de voo que facilite, nem comunicação que funcione. Tomara que tenha achado nova frequência. É o que se espera.

FILME QUE COMEÇA PELO FIM

O Congresso assumiu o governo na prática e o pronunciamento do presidente da Câmara deixou isso explícito ao informar que a Casa não vai mais priorizar discussão de projetos e de medidas que não se refiram a defesa da vida dos brasileiros no combate à pandemia. Esta é agora a prioridade.

A constituição de um comitê de combate ao vírus, se ele funcionar, o que até o momento aparenta ser improvável, embora mal iniciado, pode ter o efeito reverso para a presidência, ainda que a ela seja atribuída a coordenação, pela lógica institucional. Sem pretender, presidente se meteu em sua própria camisa-de-força.

Ou faz o que o comitê estabelece, com a coordenação de governadores sob responsabilidade do presidente do Senado – a maioria com dor de dentes com o presidente – ou se funda ainda mais no trágico atoleiro sanitário que ele criou para o pais. Parece filme que começa pelo fim, que já se sabe no que vai dar.

UM ENCONTRO ESPIRITUAL

Presidente é indiretamente espinafrado pelo presidente da Câmara em um pronunciamento no dia anterior, com insinuações de poder enfrentar até mesmo possibilidade de impeachment e, em demonstração inédita de amedrontamento e revelação de sua coragem, convida o deputado para uma conversa e depois o acompanha até o carro, na saída do Palácio do Planalto.

Nem Fernando Collor de Mello, que renunciou à presidência para não sofrer impeachment agiu ou deu sinais de semelhante covardia quando ocupava o cargo.Tinha ao menos o discernimento da preservação de uma certa dignidade.

De arremate fez percurso para voltar ao gabinete passando pelo comitê de imprensa, para dar aparência de serenidade e de um auto-controle sobre o episódio, coisa que só consegue em relação aos delírios de sua psicose quando enfrenta situações de desconfortos fisiológicos.

Já não faz ameaça, não vocifera, a ninguém agride com sua linguagem, não fala mais que estão esticando a corda e que só Deus o tira de onde está. Trata o presidente da Câmara com respeito e reverência como sendo agora seu principal apóstolo. O Deus de sua Fé está no outro lado da praça e ele está nu. Vai cumprir penitência. E ele sabe disso. Acabou.

*Alceo Rizzi é jornalista e colaborador do Paraná Portal.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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