Em guerra contra a morte, Paraná pede armas para combater a pandemia

Pedro Ribeiro


Lamentavelmente o Paraná continua contando seus mortos em níveis assustadores. Nesta quarta-feira, pelo segundo dia consecutivo, o Estado bateu o recorde diário de óbitos pela Covid-19 com 71 óbitos. Hoje, o Paraná contabiliza 1.467 mortes desde o início da pandemia.

Estes números levaram o deputado Michele Caputo, ex-secretário de Saúde do Estado a fazer um apelo ao ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, sobre a urgência para o repasse de medicamentos e aparelhos para o tratamento da covid-19 no Paraná.

Pazuello é esperado nesta quinta-feira, 23, para uma reunião com autoridades paranaenses.

“Essa pandemia é uma verdadeira guerra. Os nossos soldados são os profissionais da saúde e os gestores que estão entre os melhores do mundo. Só que precisamos de ‘armas e munição’ e as armas são os medicamentos e os equipamentos”, disse o coordenador da Frente Parlamentar do Coronavírus.

Michele Caputo lembra que em recente videoconferência com o Ministério da Saúde foi feita uma série de reivindicações pelo secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto.

O que dirá, na conferência, o general ministro que, em maio, durante reunião à portas fechadas, com técnicos do Ministério da Saúde, foi alertado de que, sem medidas de isolamento social, os impactos da doença serão sentidos por até dois anos?

Segundo a equipe de Pazuello, “todas as pesquisas” levam a crer que o distanciamento é “favorável” até mesmo para o retorno da economia mais rápido.

“Sem intervenção, esgotamos UTIs, os picos vão aumentar descontroladamente, levando insegurança à população que vai se recolher mesmo com tudo funcionando, o que geraria um desgaste maior ou igual ao isolamento na economia”, afirmam técnicos da pasta.

Dentre as solicitações estão bombas de infusão, respiradores, monitores paramétricos e medicamentos do kit de intubação, cujo estoque já está no limite.

“Ministro, o senhor é sempre bem vindo. Da mesma forma que o senhor tem orgulho de usar a farda de general, nós que integramos o sistema único de saúde do Brasil, que é a maior política inclusiva desse país, temos orgulho de vestir a camisa do SUS. O Paraná é uma terra de gente hospitaleira, de gente que sabe ser grata. Mas de gente briosa, de gente que trabalha e que exige os seus direitos”, disse.

O deputado reafirmou que o Estado precisa com urgência do que foi solicitado ou pelo menos uma parcela importante das solicitações. “Precisamos de respostas concretas. Os hospitais filantrópicos têm feitos pedidos de recursos que levam 30 a 40 dias (para chegar) e caso não cheguem, porque é base para sustentar os financiamentos feitos nos bancos, podem fechar leitos nesse momento de crise.”

“Com todo o respeito, o senhor que é um homem da logística, que entende de cenários de guerra, de exércitos, de tropas, de munição de armamentos. Nós precisamos de armas e de munições. O relatório já lhe foi passado com os medicamentos e equipamentos que precisamos”, disse o deputado.

Michele Caputo reafirma que o governo federal concentra a maior parte dos tributos e impostos e que os recursos provenientes desta arrecadação precisam retornar os municípios e estados. “Esses recursos são fundamentais neste momento no Paraná e no Sul do país. Serei o primeiro a elogiar, se as reivindicações feitas pelo Executivo, pelo parlamento, pelos prefeitos e pelos hospitais, forem significativamente atendidas”.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal