Empresários manifestam preocupação com receitas do Estado

Pedro Ribeiro

 

Depois de ter encaminhado documento ao Governo do Estado, em julho, onde manifestava preocupação com as finanças do Estado e chegou, inclusive, a ponderar diretamente ao governador Ratinho Junior sobre a necessidade de se repensar o reajuste aos servidores públicos, a Associação Comercial do Paraná (ACP) volta a alertar sobre as receitas, despesas e investimentos do Estado. A época, o Governo do Estado não deu a devida atenção e promoveu o reajuste.

Agora, diante da queda da receita em perto de R$ 5 milhões, o governador Ratinho Junior chegou a promover mudanças na direção da Secretaria da Fazenda já que existe também um desconforto entre auditores e o próprio secretário, o que o governo acha natura, diante do direito de manifestação.

Assinada pelo presidente Glaucio Geara, que já foi secretário da Fazenda do Estado no governo Mario Pereira, a entidade enviou nesta quarta-feira nova carta ao governador Carlos Massa Ratinho Junior onde diz que “o Paraná enfrentará não mais um contingenciamento de verbas, mas sim um enxugamento de gastos da ordem de 25% a 30% das despesas de todas as secretarias”.

No texto, a ACP  lembra que os empresários já fazem sacrifícios com “um significativo peso tributário” e que é necessária a participação de representantes dos três poderes para sanear as contas públicas. Confira a íntegra da carta aberta divulgada pela ACP:

Prezado Senhor

Diante das informações divulgadas pelo Secretário Estadual da Fazenda, Renê Garcia Junior, sobre a necessidade de se realizar corte nas despesas públicas do Paraná para 2020, a Associação Comercial do Paraná (ACP) volta a manifestar seu posicionamento sobre a situação fiscal do Estado, a exemplo do que já fez em julho deste ano, quando dirigiu carta aberta (em anexo) à sociedade civil paranaense e aos poderes públicos.

Em nossa manifestação, alertávamos para o crescimento das despesas públicas com a folha de pagamento, que chegava a 72% da receita corrente líquida, comprometendo investimentos em infraestrutura. Na ocasião, fomos confrontados e acusados, por determinados setores, de não compreendermos a realidade fiscal do estado. O tempo provou que sim. E a situação pode se agravar.

Disse o secretário que o Paraná enfrentará não mais um contingenciamento de verbas, mas sim um enxugamento de gastos da ordem de 25% a 30% das despesas de todas as secretarias. “Estou muito preocupado. O cenário brasileiro manda “sinais ruins” sobre 2020, com ausência de perspectiva de crescimento econômico. Não posso ser otimista. Trata-se de cortar as despesas essenciais em patamares bem elevados”.

Os empresários paranaenses estão arcando com um significativo peso tributário. Não é mais possível exigir novos sacrifícios neste quesito. O futuro difícil que vislumbrávamos em julho chegou bem antes do que o esperado. Os recursos do Fundo de Previdência aproximam-se do fim. A Reforma da Previdência empaca no desinteresse de deputados e senadores e demora a ser aprovada. Sem ela, o futuro do país como um todo corre sérios riscos.

Voltamos a propor a necessidade de se promover uma ampla reforma administrativa, que elimine benefícios anacrônicos e acabe com o crescimento inercial da folha de salários. Já apresentamos proposta neste sentido aos candidatos ao governo do Estado, antes das eleições de 2018.

Com o agravamento da situação financeira dos cofres públicos paranaenses, entendemos que passa a ser obrigatória a participação de todos os setores no processo de recuperação da economia e da situação fiscal do Paraná. Devem participar os integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público, professores e representantes das Universidades estaduais, dentre outros.

Mais uma vez reafirmamos o compromisso de apoiar o Governo, com a participação de empresários de todos os setores, a levantar a economia, fortalecer a arrecadação e a promover o retorno ao pleno emprego.

Atenciosamente

Glaucio José Geara

Presidente

 

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.