Evo Morales, na posse do capitão, manda esquerda latino-americana catar coquinhos

Pedro Ribeiro


 

O mais esperto, para mim, no festerê de posse de Jair Bolsonaro foi um índio: Evo Morales. Quietinho, na linha de frente das autoridades, o presidente boliviano, sócio do Brasil em vários negócios, principalmente na área de energia, posou para fotos e só faltou mandar bananas para seus colegas da Venezuela, Guatemala e Cuba. Foi o representante da esquerda latino-americana na posse do capitão.

É de se supor que o líder boliviano desde ontem tenha caído em desgraça no chamado bloco de esquerda latino americano, ao participar da posse de um presidente do Brasil com viés frontalmente contrário e com quem ela anda em pé de guerra verbal.

Morales foi um dos presidentes latino-americanos mais beneficiados com a permanência do PT no poder do Brasil em 16 anos, teve até o beneplácito só revelado mais tarde pelo próprio presidente Lula para expropriar instalações e nacionalizar as operações de exploração de gás da Petrobrás na Bolívia. Pecado mortal cometido pelo petismo aos olhos do nacionalismo brasileiro da dupla que ontem assumiu o comando da República.

Nos dias que antecederam a posse de Bolsonaro, o Itamarati desconvidou Cuba e Venezuela de participarem da solenidade, dois países mais próximos do presidente boliviano. Na véspera, PT e Psol, partidos da esquerda e do Foro de São Paulo, do qual Morales também faz parte, anunciaram boicote á solenidade de posse de Bolsonaro.

Se voltarmos um pouco mais no tempo, antes mesmo de assumir, Bolsonaro foi diretamente responsável pelo fim do acordo que o governo de Cuba tinha assinado ainda no governo Dilma, para a presença de médicos cubanos no país. E nunca teve papa na língua para desancar a esquerda nativa e os governos esquerdistas que assumiram o continente e do qual Morales ainda é um de seus representantes.

O presidente da Bolívia deu uma banana para toda essa sanha antibolsonarista e compareceu á posse de Bolsonaro, sendo educada e diplomaticamente recebido por ele na cerimônia de cumprimentos dos chefes de Estado ocorrida no palácio do Planalto. O líder boliviano, ao que tudo indica, tem um senso mais prático de exercício do cargo e de poder em seu país e está pouco se lixando para o proselitismo ideológico de esquerda do qual se aproveitou esses anos todos e que pode, ainda, continuar mantendo em seu território.

Mas não será mais o mesmo diante dos olhos da esquerda latino-americana que o paparicava por sua origem indígena e cocaleira. Já deve estar, a esta altura, com as orelhas pegando fogo pelos impropérios e comentários dos esquerdistas que até ontem o incensavam.

O pragmatismo de Morales fez com que ele marcasse ponto a favor, mesmo diante da opinião pública brasileira, por interpretar em seu gesto um movimento de simpatia e respeito ao Brasil, com o qual seguramente pretende manter relações comerciais e diplomáticas. Para o Brasil, o comércio com a Bolívia, não é lá tão expressivo, cerca de 1,32 bilhão no ano passado. Mas para a Bolívia, com uma economia que não se compara à brasileira, nossas exportações tem outro significado, são importantes, o país nosso maior fornecedor de gás natural.

De bobo, Morales não tem nada. Deixou a esquerda latino-americana falando sozinha, mandou todos catar coquinhos.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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