Fim do martírio e mais um passo na via crucis dos brasileiros

Redação


(Pedro Ribeiro)

O martírio da primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT), chegou ao fim, assim como também chegou ao seu final a via crucis da maioria esmagadora do povo brasileiro que desaprovou seu governo e foi às ruas para pedir sua saída. Vira-se mais uma página da história democrática do Brasil mergulhado numa profunda crise política e econômica, mas não tira, do povo, a esperança de um país melhor e igual para todos.

Foram momentos de angústia, de agressividade, de choro, emoção, e um grande teste às instituições jurídicas e para o Congresso Nacional que começou, na Câmara dos Deputados e terminou no Senado Federal e sob a presidência do ministro e presidente do Tribunal Superor Federal, Ricardo Lewandowski, ao anunciar que 61 senadores haviam votado pelo afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff e 20 pela sua continuidade.

O julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff começou na quinta-feira, 25, com o depoimento de testemunhas. Na segunda, 29, ela foi pessoalmente ao Senado apresentar sua própria defesa. Ali,seu pronunciamento já não tinha a menor importância para a liderança do partido, o PT, pois as favas já estavam contadas. Mas, mesmo assim, como guerreira ela se manteve em pé apostando em um naco de esperança de continuar a comandar os destinos da Nação, cujo governo, herdado do populista Luiz Inácio Lula da Silva, acreditava estar fazendo o melhor para o país e sua gente.

Lula, o criador, compareceu no Plenário do Senado Federal para dar apoio à criatura, mas já sabia que a luta era inglória e que o PT sairia dessa batalha ainda mais fragilizado do que entrou, em 2014 e 2015, inicio do processo de impeachment que condenou a presidente por crime de responsabilidade fiscal, o que fere a legislação e a Constituição brasileira.

No Senado Federal, dois senadores paranaenses, Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) apostavam que o processo seria revertido e acabaram perdendo. Gleisi esperneou até o final como se tivesse uma grande gratidão pela chefe que a convidou para chefiar a Casa Civil do Governo e acreditou até os últimos segundos de suspiros que a presidente não seria afastada e que estava sendo vítima de um golpe, não apenas contra a pessoa mas, também, contra a democracia, o que a maioria de seus colegas de Senado não concordam.

Roberto Requião, na sua vasta experiencia política, onde foi prefeito de Curitiba, deputado estadual e governador por três gestões, além de senador da República, acabou derrotado como quem, parecia, não saber o que, efetivamente, estava acontecendo no País, com a população nas ruas pedindo a saída de Dilma, do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do presidente do Senado, Renan Calheiros e de outros políticos que figuravam nas páginas policiais como corruptos.

Agora, após sua derrota, Requião vem a público insinuar que haverá uma guerra civil no País tendo sua palavra como única arma para poder continuar na defesa dos que fizeram um grande desserviço ao Brasil e aos brasileiros como, por exemplo, afundar o País em dívida, contribuir para o aumento da inflação, do desemprego e desesperança de perto de 12 milhões de cidadãos.

Não são heróis os autores do processo de impeachment que defenestrou a petista do governo da nação, Janaína Pachoal, Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo, mas, sim, cidadãos a exemplo dos procuradores da República e do juiz Sérgio Moro que lutam por um país melhor. Sérgio Moro, um paranaense de Maringá, colocou toda sua carreira e experiência como jurista para tentar extirpar do solo brasileiro os corruptos que sangraram a Petrobras e outras empresas estatais.

A guerra ainda não terminou. Se Requião espera que o Movimento Sem Terra e outras entidades ligadas ao PT saiam as ruas para protestar e fazer baderna, ele também esquece que, com esse processo de transformação democrática, o Brasil cresceu e aprendeu e que, atrás de Sérgio Moro, do Supremo Tribunal Federal, dos instrumentos de justiça, vem as forças de defesa da soberania e de apoio ao povo que optou pela mudança.

Michel Temer vai assumir oficialmente o comando da nação mas, também, não tem certeza de que continuará por um longo tempo no Palácio do Planalto poque assume em um momento crítico, nervoso, onde todos estão com os nervos à flor da pele. Os mesmos cidadãos que foram às ruas para pedir o fim do poder petista, com o fora Lula, fora Dilma poderá ser, amanhã, o mesmo a gritar fora Temer.

Temer, como muitos outros que o cercam no improvisado Palácio Jaburu e agora no Palácio do Planalto, também terão que responder, mais cedo ou mais tarde, à mesma justiça que hoje tirou Dilma do governo. O Brasil está passando por um estágio delicado e experimentando um sentimento de cidadania em todos os brasileiros. Os cidadãos brasileiros, senhoras, crianças, jovens, adultos e idosos passaram, nos últimos 12 meses, a se interessarem pela política e pelos destinos do país por sentirem na pele a necessidade de mudanças.

As instituições políticas e, em especial, os políticos, estão sendo vigiados dia e noite pela população e acada dia que passa, mais politizada, saberá dar respostas nas urnas e eliminar os maus políticos que buscam benefício próprio em vez de lutar pelo seu país.

Dilma sai do Palácio do Planalto mas não sairá da política, mesmo que fique oito anos inelegível. O PT é guerreiro e vai incomodar. Lula, se não for efetivamente punido pela justiça brasileira onde, e réu pela denuncia e comprovação de recebimento de benefícios de empreiteiros em seu suposto apartamento no Guarujá ou no sítio de Atibaia, será um grande candidato a voltar para o Palácio do Planalto em 2018.

Na maioria das cidades brasileiras, os cidadãos saíram às ruas para comemorar mas não sabem o que vem pela frente. No entanto, têm esperança e a certeza de que existe resistência em cada lar deste país que acaba de contabilizar 206 milhões de habitantes.

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