Funcionalismo público consome mais de 13% do PIB brasileiro

Pedro Ribeiro


 

Somos maiores que os Estados Unidos

 

Quatro anos de mandato de um presidente da República que se disponha a começar a reformar por completo o Estado Brasileiro são insuficientes para eliminar os estragos que foram se acumulando ao longo de décadas, principalmente no tamanho e no gigantismo da máquina pública federal, e que se desdobra como espelho na realidade das unidades estaduais e municipais da Federação.
É preciso que haja uma diretriz, uma política de médio e longo prazos para sanear o Estado Brasileiro, dilacerado por dentro pelo patrimonialismo que tem caraterizado a casta de burocratas e servidores em todas as esferas de poder. O País carece de políticos com visão de estadistas que tenham a coragem de enfrentar essa realidade.
O Brasil gasta mais com o funcionalismo público que países com economias mais desenvolvidas, como os Estados Unidos, Portugal ou França, segundo aponta relatório do Banco Mundial divulgado há três anos, em todas as esferas federativas. Os servidores públicos consomem o equivalente a 13,1 % de todo Produto Interno Bruto (PIB) do País somente com o pagamento de seus salários. Se formos contar os gastos adicionais em locais de trabalho, aí a conta se perde para o Tesouro.
Dez anos antes de o sindicalismo populista e a esquerda oportunista governarem o País, o funcionalismo público consumia “apenas” 11,6 % do PIB, índice ainda escandalosamente alto, e que serve para demonstrar o favorecimento desses governos enquanto duraram ao setor coorporativo e patrimonialista do serviço público,
Conforme o mesmo relatório do Banco Mundial, os Estados Unidos, País mais rico e desenvolvido do planeta, consome apenas 9 % de seu PIB e tem uma população de 325 milhões de habitantes, equivalente a 100 milhões a mais que a brasileira. Não vamos nem mencionar os tamanhos dos PIBs de cada um.
Mas, o problema, em tese, não seria tanto o número de servidores públicos, hoje estimados em 3,1 milhões alocados sem planejamento, muitos em áreas onde não há necessidade, poucos em que mais precisa.
O que é mais gritante e faz o Estado Brasileiro ser este monstrengo inchado, ineficiente, perdulário e injustificado, é o absoluto descontrole que existe quando se trata de avaliar a massa de salários do funcionalismo público brasileiro recebe. É simplesmente assustador. E não houve governo até agora que desse um basta nessa voracidade do funcionalismo quando se trata de elevar seus vencimentos e aos poucos ainda ir agregando benesses e prebendas que incorporam ao holerite, as vezes em duas ou três vezes mais.
Essa gente vive uma realidade diferente da população brasileira, a ponto de achar que ela existe para satisfazer seus benefícios e caprichos patrimonialistas e não ao contrário, de que a sua razão de ser é a de servir o conjunto da sociedade. Recebem remuneração que nem os países mais ricos pagam a seus funcionários nas mesmas funções, vivem em uma espécie de paraíso e se aposentam com polpudos rendimentos.
Dados da Organização Mundial do Trabalho (OIT) divulgados no ano passado, mostra que o setor público brasileiro recebe em média 70% a mais de remuneração do que se paga aos trabalhadores da iniciativa privada. Os dados variam um pouco na avaliação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mas ainda assim é gritante na base do funcionalismo. Um servidor público civil, na base, recebe em média, ao ano, 44 mil reais, ante 26 mil na área privada. Na área federal, é escandalosamente ainda mais desproporcional: recebem em média 130 mil em salários durante o ano, em contraposição ao equivalente na área privada, que se contenta com 55 mil em média anuais, ainda de acordo com o IBGE.
Vai ser preciso mais que um mandato, muita determinação politica e algumas gerações para racionalizar e tornar o Estado Brasileiro recuperado dessas mazelas.
Talvez nossos netos vivam um País diferente se essa realidade começar a ser tratada de imediato.
Senão…

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal