Guerra de poder nas pradarias do Brasil central

Pedro Ribeiro

Congresso - MP do Emprego Verde e Amarelo

 

Há quem aposte que a prisão do ex-presidente Michel Temer seria troco da Lava Jato que andava meio em baixa com as recentes investidas dos capas pretas com cheiro de enxofre do Supremo Tribunal Federal contra a juventude do Ministério Público Federal. O enquadramento de Temer veio um dia depois de o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, em tom patético, provocar e debochar do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disciplinado, carismático e compromissado com o fim da corrupção e da criminalidade e da bandidagem no país.

Maia foi duro com Moro. Exagerou na dose, quando disse que o ministro era funcionário do presidente Bolsonaro, esquecendo do histórico do magistrado que abriu o peito e enfrentou o crime de colarinho branco e colocou na cadeia políticos, amigos de Maia, empreiteiros e doleiros que vinham sangrando os cofres públicos. Polido, Moro se limitou a dizer que a segurança pública não pode esperar, pois a sociedade brasileira clama por urgência, ao se referir ao descaso do presidente da Câmara em relação ao trâmite do projeto anticrime encaminhado para análise e aprovação.

Maia foi indelicado com o ministro, insinuando que ele, um magistrado de respeito nacional e internacional, teria copiado ideias do ex-ministro da Justiça e hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes, como se Moro não tivesse competência para desenhar um plano contra a violência e o crime organizado no país. Maia não foi decente, pelo contrário, foi arrogante, como se perpetuasse no poder, comandando um balcão sujo de negócios.

A Lava Jato se inscreveu na história como lampejo de esperança num país habituado à impunidade. É claro que os procuradores do Ministério Público Federal erraram na mão quando quiseram fazer da Lava Jato uma empresa de sociedade anônima para administrar R$ 2,5 bilhões, dinheiro da Petrobrás, portanto, da União, numa manobra de sinuoso raciocínio.

Esta queda de braço, entre Maia e Moro, não interessa ao país no momento em que o Congresso Nacional começa a analisar a proposta do |Executivo da Reforma da Previdência, uma das mais importantes e urgentes das várias reformas que o Estado precisa fazer. O Brasil precisa desta reforma, senão vai quebrar ainda mais.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.