Haddad, o afilhado de Lula, abusa da estupidez e cinismo

Pedro Ribeiro


 

Quando a estupidez se reveste de proselitismo político e serve como instrumento de maniqueísmo capenga, até a hipocrisia passa vergonha. O candidato derrotado do PT nas eleições presidenciais  Fernando Haddad poderia ter nos poupado e deixar de falar besteira em sua tentativa de regressar de seu silêncio para dizer que ainda está vivo. Declarou, sem o mínimo constrangimento e pudor, que a liberação da posse de armas decretada pelo presidente Jair Bolsonaro tem como pano de fundo a formação de milícias armadas, como ocorre nas Filipinas.

Tem homens que amadurecem e aprendem muito com derrotas e fracassos na trajetória da vida. Os reveses da vida muitas vezes também ensinam que a hipocrisia, o cinismo, a desonestidade intelectual podem até convencer por alguns momentos, mas não sobrevivem por muito tempo, porque são  frágeis por essência, logo sucumbem diante dos fatos e da descoberta de seus propósitos. Haddad deveria ter aprendido isso com a derrota na campanha eleitoral e ter abandonado de vez este arcabouço que muitas vezes abriga homens de caráter e personalidade questionáveis.

O candidato derrotado do PT foi se apegar à República das Filipinas, no sudeste asiático para ilustrar como exemplo de país cujas milícias armadas agem em defesa do presidente Rodrigo “Digong” Roa Duterte, político de direita, eleito democraticamente.

Uma tentativa de fazer um paralelo com o governo de Jair Bolsonaro diante do decreto deliberação da posse de armas. Haddad viajou em pensamento quase 20 mil quilômetros para encontrar um País que se encaixasse no que pretendia dizer.

Não precisava ter ido tão longe. Poderia poupar o esforço mental e  ser mais prático, usar como exemplo a Venezuela, aqui pertinho, na fronteira com o Brasil, para onde a presidente de seu partido, Gleisi Hoffman havia viajado antes para participar da posse do ditador Nicolas Maduro. Poderia até ter viajado junto com ela para conhecer de perto a Milícia Nacional Bolivariana, criada pelo então presidente, o falecido tenente-coronel Hugo Chaves, e alimentada por Maduro. Seria mais honesto da parte de Haddad, mas o que se pode esperar de políticos que se formaram na escola do PT e de nossa esquerda caricata, todos  mestres na arte da dissimulação?

Enquanto falavam em liberdade e avanços de políticas sociais, com a mão grande arrombavam os cofres da Petrobras e do povo brasileiro.

Se tivesse acompanhado Gleisi em sua  viagem, saberia que hoje as Milícias Bolivarianas são compostas por cerca de 1,6 milhão de civis armados até os dentes, segundo informação do próprio ditador do País. Estão prontos para lutar em defesa da farsa bolivariana enquanto o povo passa fome, vive em estado de calamidade, em um dos mais perversos crimes humanitários do mundo contemporâneo.

Sobre a Venezuela e o ditador Maduro, o bravo Haddad guarda um silêncio respeitoso e submisso, como fez durante a campanha eleitoral. Haddad poderia ter sido mais comedido. Com que credibilidade e autoridade moral ele vem agora à publico para falar em pretensa formação de milícias em defesa eventual do governo recém empossado?

São delírios como este que nos fazem chegar a uma conclusão:  pobre dos alunos que o tiveram como professor.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.