Heróis aos avessos abandonaram o grande líder Lula

Pedro Ribeiro


 

À exceção de pouco mais de meia dúzia de ativistas que insistem em manter a pequena chama acesa na vigília do Lula livre, notamos o desaparecimento das grandes lideranças que sugaram o sangue do ex-líder durante vários anos. Muitos enriqueceram à sua sombra. Gleisi Hoffmann perdeu o fôlego e o amor platônico. São raras as vezes em que visita Lula e seus depoimentos não passam de palito de fósforo riscado. Dilma Rousseff, felizmente, nem pérolas nos brinda mais, o mesmo acontecendo com Monoela. Cadê Haddad? Embora o rei não esteja nu, padece na prisão alimentado por ilusões.

A prisão do ex-presidente Lula, a maior liderança carismática e de massas que a História do País produziu desde o seu descobrimento, não deixou apenas órfão o Partido dos Trabalhadores como arrastou para a mesma vala de desgaste e rejeição toda uma esquerda satélite que embarcou em seu governo sindical populista. Poucas são as vozes, quase todas concentradas basicamente na agremiação petista que restaram e que ainda se debatem e gritam em defesa de seu grande líder. A  maioria dos aliados, como poucas exceções, guarda um silêncio tibetano.

Nem mesmo ex-ministros petistas, gente de primeira hora e grandeza, que ocupou posições de destaque em estatais e binacionais, todos filiados ao PT, apareceu ou emitiu sinais de fumaça apache em socorro do agora presidiário. Da ravina, onde guerreiros da esquerda-satélite antes brandiam seus tacapes, a maioria debandou, apenas com uso de lunetas se encontra algum deles amedrontado, e que grita baixo algumas palavras de ordem, apenas para manter a compostura, envergonhado. E só.

Ainda atônitos com a cavalaria prussiana que varreu outubro e com o líder confinado, petistas que restaram e aliados que vagueiam perdidos na planície, garimpam talvez um norte que lhes restitua aos poucos a credibilidade que perderam. Mas,  a seu modo, não deixam de ser bravos e leais guerreiros na tentativa de recompor fileiras mesmo com a fragilidade das forças que lhes restaram e da diminuição expressiva de oficias de tropas em fuga.

Vergonhosas mesmo foram as deserções dos companheiros, antes de primeira hora, alguns enroscados na Lava Jato e outros com medo de serem apanhados e que sumiram do campo de batalha antes e depois da derrota, como se a ausência apagasse digitais deixadas. Logram êxitos, alguns, até o momento, e talvez reapareçam com fleuma e circunstância se um dia desses o líder se desvincilhar do cárcere.

Contam os historiadores e pesquisadores que após  a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, logo nos primeiros dias e meses de ocupação, era difícil encontrar um cidadão germânico  que se dissesse simpático ao nazismo. E ainda hoje, o assunto é tratado com reservas entre as gerações de descendentes, sabem eles que é uma ferida aberta na História desse pais de gente trabalhadora, responsável e organizada.

Obviamente que o paralelo que se faz com a história passada lá com a contemporânea daqui, por todas as razões circunstâncias, loucuras e o que mais possa se dizer, soa estupidamente como despropósito. Mas se há um paralelo que não se pode negar na comparação com a recusa  de alemães em reconhecer apoio fanático que deram ao Terceiro Reich naquela época, é o estranhíssimo sumiço de muitas figuras de proa que antes faziam questão de ocupar os noticiários com as boas novas do petismo.

Desnecessário mencionar nomes, uma singela revisão do tempo recente vai fazer com que todos se lembrem, a memória é ainda relativamente recente.

Justiça se faça nesse sentido, uma vez que a das leis já o tenha condenado, é a exceção no que toca ao ex- ministro José Dirceu.

Mesmo condenado e livre apenas por uma liminar que não o impedirá para sempre de regressar à cadeia mais à frente, ainda assim tem coragem e se manifesta em defesa de seu líder e em análise da conjuntura politica brasileira.

Sem ter Messias em seu nome, ainda se julga espécie de predestinado, guerrilheiro de imaginárias armas revolucionárias de festim e imita o personagem de Cervantes na guerra com seus moinhos.

Espécie de Dom Quixote dessa esquerda deserdada, não abandona os Sancho Panças de sua Armada e diz que aguarda apenas o próximo presidente sentar na cadeira para ele saber que ela queima. Deve saber do que esta falando.

Ele e o ex- presidente preso.

Pelo menos, José Dirceu, goste-se ou não, não fica na moita.

Mas, e  os outros, onde eles estão?

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal