Ilusão na redução dos juros do cheque especial a 8% ao mês

Redação



A medida do governo federal de limitar as taxas de juros do cheque especial em no máximo 8% ao mês a vigorar a partir de 6 de janeiro de 2020 é apenas uma forma de tentar colocar ordem no setor, ou seja, controlar o abuso. Em outubro, o juros do cheque especial chegaram a absurdos 305,9% ao ano e a 12,4% ao mês. Para o Banco Central, a decisão objetiva tornar o produto mais “regressivo”, ou seja, penalizar menos os pobres, já que o produto é mais utilizado por clientes de menor poder aquisitivo e educação financeira.

De qualquer forma, ou com 8%, as taxas de juros do cheque especial ainda são abusivas em comparação com a Selic que paga 5,5%. Para o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), empresário Gláucio Geara, a medida governamental é paliativa e as taxas continuam altas levando ao usuário do cheque especial uma sensação de queda o que, na realidade, não acontece.

Em outubro, conforme dados divulgados nesta quarta pelo BC, o juro médio do cheque ficou em 305,9% ao ano. Com a mudança, os juros cairão praticamente pela metade, a 150% ao ano, segundo o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello.

“O cheque especial tem características de crédito e serviço bancário e identificamos no cheque volumes altos de limites concedidos a clientes que não são usados. Dinheiro parado significa custo no sistema, e normalmente os clientes de baixa renda que arcam com esse custo”, afirmou, em coletiva de imprensa.

De acordo com ele, os limites concedidos no cheque especial somam R$ 350 bilhões, enquanto o volume de operações está em apenas R$ 26 bilhões. “Ou seja, o volume de dinheiro parado é de cerca de R$ 325 bilhões”, completou.

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