Iminente a saída de Joice como líder do governo na Câmara

Pedro Ribeiro

 

É questão de dias a saída da deputada federal Joice Hasselman (PSL) da liderança do governo na Câmara Federal. Despreparada e destemperada, a mulher que copiava, como é conhecida no meio jornalístico paranaense, entrou em bola dividida com o japinha Kim Kataguiri nas redes sociais com repercussão negativa junto a alguns parlamentares, inclusive de seu próprio partido, o PSL.

O Estadão foi ouvir deputados a respeito do comportamento da líder do governo e as respostas levam para o seu descredenciamento como negociadora da reforma da Previdência. O comando das negociações passará para o ministro chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni.

Joice criticou no fim de semana, por meio do twitter, dois colegas que apoiam a aprovação da reforma, o que incomodou parlamentares da base aliada do presidente  Jair Bolsonaro. No primeiro caso, a deputada ironizou a troca do nome do PPS para Cidadania e foi rebatida pelo líder da legenda na Câmara, deputado Daniel Coelho. Depois chamou o deputado Kim Kataguiri de moleque.


As críticas à liderança de Joice, porém, começaram dentro de sua própria legenda dela. Deputados do PSL ouvidos pelo Estado dizem não reconhecer na parlamentar a capacidade de conduzir o diálogo com a Câmara. No domingo, 24, um grupo a cobrou, via WhatsApp, mais detalhes de como deveriam atuar para defender propostas do governo, como a reforma da Previdência, e sobre a comunicação com o Palácio do Planalto. Joice, porém, se esquivou e jogou a responsabilidade ao líder na Câmara, Major Vitor Hugo(PSL-GO). “Sou líder do governo e não sou líder do PSL. Os interesses individuais dos integrantes do partido são tratados com o líder do partido e não comigo”, rebateu a deputada.

Joice foi escolhida para o cargo pelo próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e avalizada por Bolsonaro. A relação da deputada com outros líderes na Casa, porém, já estava estremecida há algumas semanas, desde que ela apresentou a coordenadores de bancadas regionais uma lista de cargos que o governo estava disposto a discutir, mas exigindo como contrapartida o apoio ao governo, por escrito.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.