Lava Jato nas mãos da sociedade que está silenciosa

Pedro Ribeiro


 

O juiz federal, Sérgio Moro, está preocupado com os destinos da Operação Lava Jato. Para ele, o sucesso da força tarefa e de todo o trabalho realizado até agora só depende da reação da sociedade. Na opinião do procurador Delton Dallagnol, “o Congresso Nacional pode colocar toda a operação abaixo numa madrugada. Para isso, basta aprovar um projeto de anistia. Portanto, os resultados da Lava Jato dependem primordialmente de como a sociedade vai reagir”, pontua.

A sociedade, que foi às ruas, protestar contra Dilma e Lula e a favor da Lava Jato, esfriou os ânimos até por excesso de confiança. Porém, essa mesma sociedade organizada parece não acreditar no que o Congresso Nacional pode fazer numa madrugada qualquer, como alerta o procurador. Como os interesses são grandes, pois dezenas e até centenas de parlamentares estão, de uma forma ou outra, envolvidos em propinas, eles poderão, sim, declarar anistia e tudo vai por água abaixo tirando, inclusive, Cunha e outros da cadeia. O risco é iminente.

Em entrevista ao Estadão, o coordenador da força-tarefa em Curitiba, que iniciou a Lava Jato em 2014, Dallagnol entende que a “virtude” das duas operações “foi um amplo diagnóstico da podridão do sistema político”. “Contudo, a virtude da Lava Jato é também sua maldição, pois o sistema político concentra o maior poder da República, no Congresso, e sua reação pode enterrar as investigações, como na Itália.” “Apesar da permanente sombra do retrocesso, não se pode afirmar que não houve mudanças no quadro de impunidade para esses crimes”, diz Moro, ao pôr Lava Jato e mensalão como partes de um ciclo de combate à impunidade de “poderosos”.

 pedro.ribeiro

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="488192" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]