Mazza! Volta a promessa de lambaris no rio Belém

Pedro Ribeiro


 

Me lembro – há muitos anos atrás – de uma aposta feita entre o então prefeito de Curitiba, arquiteto Jaime Lerner e o jornalista Luiz Geraldo Mazza, hoje na CBN Curitiba e, antes, na Folha de Londrina. Lerner anunciava à época a despoluição do rio Belém que corta a cidade, para ironia do jornalista que dizia ter ouvido isso de outros governos. Foi quando Lerner disse que Mazza iria pescar lambaris no rio Belém. Passaram-se mais de 20 anos e nada do Mazza jogar a linha no poluído rio.

Agora o Governo do Estado e a Prefeitura de Curitiba firmaram convênio para iniciar as ações de revitalização do Rio Belém, o único rio 100% urbano da Capital, o mais longo – e também o mais poluído. A proposta integra o programa de revitalização do Rio Iguaçu, onde deságua o Belém. O convênio foi assinado pela governadora em exercício Cida Borghetti e o prefeito de Curitiba, Rafael Greca.

A governadora em exercício anunciou que serão investidos R$ 10 milhões, com recursos do Governo do Estado. O montante será utilizado em projetos com o objetivo de despoluir o Rio Belém. “Hoje é um pontapé importante e o começo da realização de um sonho, que é entregar o rio limpo à população”, disse Cida. “Medida que, além de preservar o meio ambiente, levar mais qualidade de aos paranaenses”, acrescentou.

Cida é a coordenadora do grupo de trabalho criado em 2015 pelo governador Beto Richa para executar o projeto de Revitalização do Rio Iguaçu. “Durante dois anos a frente do grupo de trabalho, tiramos 500 toneladas de lixo, como colchão, fogão e até beliches, mas ainda falta muito”, disse Cida.

O prefeito, que no evento também assinou o decreto que aprova o Plano Municipal de Saneamento Básico de Curitiba, destacou a importância do trabalho conjunto para recuperar da bacia.

“Vamos despoluir o Rio Belém. O ano de 2018 será o ano de resgate da bacia mais importante de Curitiba”, disse Greca. “Não se faz isso sozinho, precisamos estar unidos para que tudo aconteça”, afirmou.

Entre as ações de recuperação do rio está a implantação e monitoramento dos sistemas de fitorremediação, que consiste no uso de plantas como agentes de purificação de ambientes aquáticos contaminados por substâncias químicas e dejetos em geral. A técnica é utilizada em vários países para tratamento de esgoto e recuperação de cursos d’água. Possui baixo custo de implantação e ganhou reconhecimento internacional após ter sido utilizado na despoluição do Rio Sena, na França.

Também haverá integração paisagística de áreas urbanas ao longo da bacia.

O plano de recuperação será coordenado pela Secretaria estadual do Meio Ambiente e terá participação de vários órgãos estaduais e do município – Instituto Águas Paraná, IAP, Secretaria de Estado do Planejamento, a Sanepar e o IPPUC.

Dentro do plano de recuperação, a educação ambiental será priorizada, afirmou o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Antônio Carlos Bonetti. Ele explicou que entre as ações previstas estão campanhas de conscientização da população para preservar a vida do Rio depois de despoluído. “O processo de educação ambiental será contínuo para que depois de limpo não voltemos a poluir o Rio Belém e, consequentemente, o Rio Iguaçu”, explicou.

O Governo do Estado e a Prefeitura de Curitiba já trabalham integrados em projetos e ações para a revitalização do Belém, o único rio 100% urbano da capital e o principal da bacia de Curitiba, com aproximadamente 17 quilômetros de extensão. Uma das ações é o rastreio de ligações clandestinas de esgoto feito Sanepar em parceria com a prefeitura. O diagnóstico da Sanepar apontou que existem 15 mil ligações irregulares no Rio Belém.

 

 pedro.ribeiro

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal