Médicos cubanos que curaram de nó nas tripas a espinhela quebrada estão indo embora

Pedro Ribeiro


 

 

Os médicos cubanos que desembarcaram no Brasil há três ou mais anos atrás, estão pegando a trouxinha e retornando a Havana. Não foi fácil a vida deles no país cheio de contradições e de culturas diferentes. Me lembro de ter visto um meme nas redes sociais que falava, em tom irônico, sobre as dificuldades que estes profissionais encontraram, principalmente nos rincões ou nos grotões desse imenso país, para onde foram enviados.

Dizia: no interior das Minas Gerais, la pelas bandas da Bahia, os médicos cubanos foram surpresos com inúmeras doenças a eles relatadas pela população, que não constavam dos livros da medicina de Cuba e nem do mundo.

A começar pelo idioma. “Dr. Minha avó está com espinhela quebrada. O que fazer. Estou com dores nas cadeiras… acho que a criança está com solitária das bravas… o Tião está com barriga d’água e a Maria com nó nas tripas… e assim por diante. Conta o meme que esses tipos de doenças folclóricas deu um nó nos cubanos.

De qualquer forma, acredito que esses profissionais, muitas vezes hostilizados, acabaram se adaptando à cultura brasileira e contribuíram com seus conhecimentos na ajuda a milhões de brasileiros que não tem uma política de saúde à altura do seu país.

A decisão do governo cubano de repatriar os médicos que atuam no Brasil dentro do Programa Mais Médicos provocou reação junto à sociedade, em especial ao Conselho Regional de Medicina do Paraná e acendeu a chama da discussão de que no Brasil existem profissionais da área suficientes para atender à demanda.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) se manifestou, através de nota, reiterando que o Brasil conta com médicos brasileiros em número suficiente para atender às demandas da população.

A classe médica, incluindo a paranaense, defende que o “Programa Mais Médicos Para o Brasil deverá contar apenas com médicos formados no Brasil, assim como médicos formados no exterior que O jornalista Alceo Rizzi, com passagens pelo Globo (raiz) e Gaeta Mercantil, avalia com propriedade a questão do afastamento dos médicos cubanos.

Diz que isso gera debate apaixonado, mais ideológico que racional.-Há reconhecimento mundial que Cuba tem hoje uma das melhores medicinas do planeta e gratuita, coisa que nem os Estados Unidos, o País mais rico e poderoso fornece a seus cidadãos. E que, mesmo sem a revalidação de diploma, os 8 mil cubanos que estão no País devem ser mais bem formados que muitos médicos brasileiros dessas faculdades caça-níqueis que existem.

-Mas há um contingente estimado de outros 20 mil médicos brasileiros formados no exterior que não podem exercer a profissão por não terem diplomas reconhecidos e validados, que poderiam ser utilizados.
-Se os cubanos exercem trabalho escravo porque só recebem ¼ do que o Brasil paga á Cuba, é assunto que diz respeito a eles e ao governo de seu País.

Haveria espaço para todos não fosse a paranóia ideológica e caso os brasileiros também decidissem amassar barro e sair da faixa litorânea

 

Confira a íntegra da nota da Sociedade Brasileira

 

Diante do anúncio feito pelo Governo de Cuba de retirada de seus intercambistas dos quadros do Programa Mais Médicos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) vem a público reiterar que:

 

1)            O Brasil conta com médicos formados no País em número suficiente para atender às demandas da população;

2)            Historicamente, os médicos brasileiros têm atuado, mesmo sob condições adversas, sempre em respeito ao seu compromisso com a sociedade;

3)            Cabe ao Governo – nos diferentes níveis de gestão – oferecer aos médicos brasileiros condições adequadas para atender a população, ou seja, infraestrutura de trabalho, apoio de equipe multidisciplinar, acesso a exames e a uma rede de referência para encaminhamento de casos mais graves;

4)            Para estimular a fixação dos médicos brasileiros em áreas distantes e de difícil provimento, o Governo deve prever a criação de uma carreira de Estado para o médico, com a obrigação dos gestores de oferecerem o suporte para sua atuação, assim como remuneração adequada.

5)            Esses pontos constam do Manifesto dos Médicos em Defesa da Saúde, encaminhado a todos os candidatos nas Eleições Gerais de 2018, ainda no primeiro turno.

Comprometido com a Nação, a ser construída com base na ética e na justiça, o CFM se coloca a disposição do Governo para contribuir com a construção de soluções para os problemas que afetam o sistema de saúde brasileiro.

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal