Militares de bom senso entre civis aparvalhados

Pedro Ribeiro


 

O Brasil não é apenas o País da piada pronta. Passou a ser também o país dos paradoxos. Quando todo mundo temia pela forte presença de militares no novo governo, em ministérios ou em cargos de assessoramento presidencial, são eles que se revelam a voz do bom senso, equilíbrio e pertinência.
E é justamente a composição civil do ministério, excluída a área econômica, que mais produz asnices, sandices e aparvalhamento no governo do presidente Bolsonaro. O episódio mais recente se deu por conta da crise da Venezuela, expondo a face do ridículo da representação diplomática brasileira, conduzida por um lunático e infantil, chanceler chamado Ernesto Araújo.
A presença do vice-presidente, general de reserva, Hamilton Mourão, na reunião do grupo de Lima nesta segunda-feira, para expressar a posição do Brasil diante da crise humanitária do País vizinho, já seria uma humilhante demonstração de desautorização pública do nosso chanceler, ainda que, para manter as aparências, ele se fizesse como acompanhante.
No sábado, o Itamaraty, por conta do desmiolado chanceler, produziu uma nota oficial de condenação ao governo da Venezuela que mais se parece a um panfleto ordinário e de militância estudantil. Em vez de tom diplomático, conclamou outras nações do mundo a se aliar ao Brasil na condenação do governo do tiranete Maduro, deixando arrepiado o governo e os diplomatas do planeta, ainda que a saída de Maduro seja desejo de todos. Se fosse pelo chanceler, estaríamos invadindo hoje a Venezuela
Não é a primeira vez que o chanceler é desautorizado e desacreditado publicamente como porta-voz da diplomacia brasileira, ocorre desde sua participação atrapalhada na primeira reunião do grupo de Lima em janeiro. Em várias entrevistas, Mourão chegou a esnobar o chanceler e a questionar se ele tem de fato capacidade para representar as posições do Brasil perante o mundo com sua infantilidade, raciocínio obtuso e panfletário, tal como militantes ensandecidos de outro extremo, notadamente do PT.
Ao chanceler se juntam as ministras Dalmares Alves, que já dispensa comentários de tanta sandice, e o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues. É impressionante a capacidade que eles tem para dizer asnices e criar estrepolias só desgastam o governo e dão a ele um aspecto aparvalhado, de grotesca caricatura de um hospício.
A mais recente é a do ministro da Educação que agora quer que em todas as escolas brasileiras seja obrigatório cantar o hino nacional, o que não seria uma aberração não fosse a recomendação adicional para seja lida também uma carta com slogan do governo e que os professores filmem todos os alunos. Nesse diapasão, o besteirol do governo vai se equiparar logo, logo, às aberrações produzidas pelos governos do sindicalismo populista anteriores, quem sabe até mesmo surgir uma nova versão sobre Ideologia de Gênero a ser discutida nas escolas.
Quando todo mundo pensava que o País havia atingido seu ápice na produção do non-sense e de besteirol com Dilma Roussef, na presidência, eis que surge essa ala toda do ministério civil do novo governo para nos frustrar e envergonhar novamente.
Não é à toa que, passados dois meses torna-se evidente e se percebe que a estabilidade e o equilíbrio, pertinência e visão mais abrangente de estado, neste novo governo da República, só se mantem e transparece devido à presença dos militares que hoje estão em posições chaves e próximas ao presidente. São eles que estão impedindo a produção mais avassaladora de asneiras, mas muitas vezes elas escapam, o que sempre acontece quando a ala civil, excluindo em parte a área econômica, abre a boca para dizer alguma coisa.
Vivemos hoje o paradoxo de dar graças à presença dos militares no governo e confiar no equilíbrio e na serenidade que tem demonstrado como única alternativa de, quem sabe, um dia deixarmos de ser apenas o país das piadas prontas.

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal