Moradores de Guaratuba  questionam projeto da ponte

Pedro Ribeiro


 

Associação Amigos de Guaratuba encaminharam carta ao presidente do Pró-Paraná, Marcos Domakoski e ao residente do Instituto de Engenharia do Paraná, Horácio Hilbernberg Guimarães, onde apontam equívocos no projeto da nova Ponte de Guaratuba.

O manifesto

Com a mais absoluta surpresa, e indignação, tomamos conhecimento dos documentos

Notas Técnicas, referentes a supostas obras previstas pelo Governo do Estado, para o

litoral do Paraná, uma das quais a utópica Ponte de Guaratuba.

Em ofício dirigido ao Governador Carlos Massa Ratinho Junior, V.Sas. destacam,

equivocadamente, que a “obra permanece como um sonho…” e que é de “extrema

relevância…”. A seguir, assinalam ser a ponte “um antigo sonho paranaense…” e que o

Senhor Governador “coloca a sua gestão em destaque na galeria de eficiência e

efetividade na administração pública brasileira.” E assim por diante.

Como associações representativas de Guaratuba, cujos membros são moradores e/ou

proprietários de imóveis no referido balneário, cabe-nos, também voluntariamente,

apresentar estes esclarecimentos, bem como levantar algumas duvidas.

Na verdade, quer nos parecer que V.Sas. pretendem transformar o pesadelo da

implantação da ponte, num sonho. E esse não é o sonho acalentado pela grande

maioria da população guaratubana, que raramente foi ouvida a respeito, e que em

duas únicas reuniões realizadas em Guaratuba e em Matinhos, coordenadas por esse

IEP, deliberaram pela não construção da aludida obra de arte.

A menção à Ponte Hercilio Luz, de Florianópolis, nos enseja lembrar que o Governo de

Santa Catarina projeta a implantação de cinco terminais portuários, ligando o

continente à ilha. Quem viaja para a bonita Capital catarinense, sabe muito bem o por

que desse projeto governamental.

V.Sas., como mentores de prestigiosas entidades, e o Senhor Governador, estão

perdendo a grande oportunidade de se posicionarem favoravelmente junto a opinião

pública, ao deixarem de dar destaque relevante à construção do trecho paranaense da

BR-101, entre a BR- 277 e a BR-376, essa sim a obra que será a redenção do Litoral.

Cabe reforçar que a sugestão mais viável dessa ligação(BR-101 ou PR-101) é iniciá-la na

BR-277, no Município de Morretes, até a Divisa PR/SC, na localidade de Pedra Branca

do Araraquara, Município de Guaratuba. Impraticável deslocá-la para a Rodovia

Alexandra-Praias, em qualquer ponto e extensão impeditiva para tráfego pesado.

Damos em anexo observações sobre o EVTEA e sobre a “Nota Técnica”(NT). Att.

MARCUS AURÉLIO DE CASTRO IWAN SABATELLA FILHO Membros da

SOCIEDADE AMIGOS DE GUARATUBA

 

RESPOSTA À NOTA TÉCNICA (NT) CONJUNTA MPP E IEP

SOBRE O SUPOSTO PROJETO PONTE DE GUARATUBA

 

NT:”A Constituição do Estado do Paraná, promulgada no dia 5 de outubro

de 1989, no artigo 36, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias,

estabelece a construção da sonhada Ponte de Guaratuba.”

Resposta: Primeiro, a Constituição estabelece, porém não determina,

não obriga. Segundo, a Constituição não aponta qual o local exato da

implantação da suposta Ponte, e, lamentavelmente, as alternativas

oferecidas pelo EVTEA são todas elas desastrosas, como veremos a

seguir.

NT:”A comunidade paranaense acalenta há mais de 30 anos a sua

ausência.”

Resposta: Baseada no que as entidades fazem essa leviana declaração?

Quantos e quais representantes do povo de Guaratuba, solicitaram às

autoridades federais e estaduais, a construção da utópica ponte? Há 30

anos ou mais duas reuniões foram realizadas, uma em Matinhos e outra

em Guaratuba, esta no ICG. Nas duas estiveram presentes autoridades

de todas as esferas, representantes de Prefeituras e de Câmaras,

representantes de entidades, uma delas o Instituto de Engenharia do

Paraná, e povo em geral. Nas duas reuniões, após os pronunciamentos e

debates, por maioria, concluiu-se pela não implantação de uma Ponte na

entrada da Baía de Guaratuba.

NT:”A limitação da oferta de transporte rodoviário, pela ausência da

ponte, dificulta o fluxo normal das pessoas que vivem no litoral, em

especial, na temporada de verão.”

Resposta: A limitação do transporte rodoviário é demonstração de falta

de vontade política das autoridades. Primeiro, vamos aproveitar para

discutir volume de tráfego pela suposta ponte. Pelo visto na sua NT,

V.Sas. acordam que vão resolver o problema da temporada de verão,

com uma Ponte de altíssimo custo e de ônus inadmissível à beleza cênica

 

que é um dos maiores atrativos do golfo de Guaratuba, degradação do

entorno ambiental e das áreas dos moradores das praias – dentre as

quais as mais prejudicadas serão a Prainha e a Caieiras -, que serão

interferidas pelos encostos da ponte e pilares de sustentação, pelo

extenso período de construção e futuras instalações de manutenção e

controle de trafego e de segurança, bota fora das escavações, muros de

contenção e das inúmeras obras periféricas que propositalmente deixam

de ser enumeradas. No mais, o DER/PR se omitiu ao permitir que a

travessia da baía se perpetuasse por obsoletas balsas e antiquados

ferry-boats sem estabelecer a modernização no transcorrer dos períodos

de concessão. Constata-se que em inúmeros outros locais turísticos, as

travessias similares são feitas por bem melhores e modernas

embarcações. Para citar exemplos – já que V.Sas. subiram o tom ao

mencionarem as Pontes Hercilio Luz e Brasil-Paraguai -, basta verificar as

embarcações que fazem o trajeto Rio-Niterói pela baía de Guanabara.

Com uma grande ponte ao seu lado, a maioria dos passageiros prefere

deixar seu carro nas praças Arariboia(Niterói) e XV(Rio) e vão

confortavelmente em modernas embarcações em vez de atravessar pela

Rio-Niterói, ou Presidente Costa e Silva.

Por falar nisso, as suas zelosas entidades já procuraram saber qual a

empresa que venceu a licitação para travessia da baía de Guaratuba?

NT: “Ao trafegar pela rodovia PR-412 em direção à cidade catarinense de

Garuva, é possível observar um grande número de veículos das cidades

próximas do estado vizinho…”

Resposta: Aqui cabe uma explicação: A Rodovia Garuva-Guaratuba, tem

34 km de extensão. Destes, 17 km estão no Paraná, e outros 17 em Santa

Catarina. Essa rodovia é o acesso natural ao Porto de Itapoá(SC) e ao

Balneário de Itapoá(SC). Obviamente alguns veículos de cidades

catarinenses não tão próximas, circulam pela referida rodovia. Curioso

observar, também, que de algum tempo para cá deve ser difícil saber a

procedência dos veículos, em grande número portando placas azuis do

Mercosul. Cabe lembrar, ainda, que os ônibus interestaduais que

demandam do sul, rumo ao sudeste, quando estacionam nas balsas

 

possibilitam aos passageiros acionarem seus equipamentos fotográficos

para colherem imagens da ainda maravilhosa e virgem baía.

NT:”A implantação de túneis minimizará os impactos sobre a mata

atlântica no entorno da ponte…”

Resposta: “A Nota Técnica esquece do restante do entorno. O próprio

EVTEA reconhece que haverá expressiva supressão vegetal, e até define

quais os tipos de vegetação mais agredidos. Devemos lembrar que

haverá supressão vegetal no acesso e na área operacional da praça do

pedágio, nas entrada e saída da ponte praticamente decapitando dois

morros, um de cada lado da baía, no canteiro de obras, nas alças ou

acessos secundários, e assim por diante. Quanto ao material pétreo

excedente, surpreendeu-nos o modo como é tratado aspecto tão

relevante. Pelo que nos foi dado observar, até aqui, existem sugestões

do EVTEA para utilização, mas são esquecidos alguns itens: 1.Qual será o

esquema utilizado para a explosão de rochas, no túnel? 2.Quais os locais

para depósito do material excedente? 3.Quais os acessos a serem

utilizados para o trânsito de caminhões transportando o material

excedente?

O EVTEA faz um exercício de futurologia ao sugerir outro túnel ligando a

região da Prainha à Matinhos, “caso haja aumento de tráfego”.

Igualmente sugere um binário na região central de Guaratuba. Como se

não bastasse uma “estrada urbana”, o EVTEA está sugerindo DUAS

“estradas urbanas.” Além da Rua Antônio Rocha – que é prolongamento

da PR-412 e vem do ancoradouro do ferry boat -, pelo desenho é

possível observar que a outra artéria do binário é a Rua Vicente

Machado, paralela a Av. Principal. Para quem não sabe, a Rua Antônio

Rocha é a mesma que passa pelo Corpo de Bombeiros rumo ao centro da

cidade e a 100 metros da praia de banho. Ou seja, para ter acesso ao

mar, as pessoas obrigatoriamente cruzam a referida artéria, que querem

transformar em “estrada urbana”. E a Rua Vicente Machado, como

paralela à Av. 29 de Abril (Principal), tem grande movimentação pois se

trata de importante alternativa para quem se dirige ao centro da cidade.

 

  1. ”Complementarmente à construção da Ponte de Guaratuba, há

necessidade de direcionar o trânsito de veículos de transporte pesado para

outra via que seria a construção de uma ligação rodoviária entre o

município de Garuva e a Rodovia Alexandra-Matinhos.”

Resposta: Lamentavelmente as entidades signatárias da carta ao Senhor

Governador, tratam a construção da 101 Paranaense como um aspecto

meramente secundário. Trata-se, todavia, da melhor e da única

alternativa viária para a almejada Redenção do Litoral do Paraná. Não se

trata, como previa o Governo Beto Richa, de uma ligação BR-116 a BR-

101, e sim da ligação da BR-277(no Município de Morretes) a BR-376(no

Município de Guaratuba). A estrada de terra já existe, passando no meio

de duas áreas ecológicas (sem agredi-las), e além de apoio substancial às

zonas rurais de Morretes e de Guaratuba, tiraria das rodovias que

trafegam pela Serra do Mar, em ambos ao lados, grande número de

caminhões e carretas, muitos dos quais responsáveis por altíssimo índice

de acidentes. Por passar nos fundos da Baia de Guaratuba, possibilitaria

a implantação de uma curta rodovia até a área urbana daquele

balneário. E, por favor, senhores do Pró Paraná e do IEP, deixem fora

disso a Alexandra-Matinhos, que nem por um mero km deve ser

utilizada, simplesmente porque, também não foi construída para

tráfego pesado. A 101 racionalizaria o trânsito em questão e a ligação

dos portos do Sul a Paranaguá, como parte do complexo viário do litoral.

Promoveria a agricultura e a pecuária, facilitaria o deslocamento dos

moradores, visitantes e outros usuários, o comércio, os atendimentos

médicos e sanitários, hoje extremamente dificultados pela falta dessa

ligação. Este projeto é muito mais necessário e inteligente, e pode ser

implantado por etapas, na medida de um cronograma físico financeiro

suportável. Além do mais traria a grande vantagem de evitar o tráfego

pesado pelas ruas de Guaratuba, de Caiobá e de Matinhos, cidades que

seriam muito prejudicadas com a alternativa da ponte.

No caso da atual travessia, em Guaratuba, há solução que seria enorme

atrativo para toda a região litorânea. A construção de um ecológico

atracadouro, entrelaçado ao meio ambiente, nos dois lados da baía, no

Cabaraquara e no bairro Piçarras, conectados a Avenida Paraná e a

 

estrada para Caiobá-Matinhos. Promoveria a criação do complexo

Ônibus-Vans-Barcos para transportar pedestres entre Guaratuba e os

vizinhos Caiobá e Matinhos, explorado por um consórcio entre a

concessionária da travessia e a empresa de ônibus licitada pela

Prefeitura. A localização da travessia pelas balsas de hoje seria mudada,

restaurando o local do atual atracadouro ao seu estado original, com

enorme ganho aos moradores, em grande maioria pescadores da

Prainha. Restauração ambiental e cênica que por si só era e poderá

voltar a ser um dos ambientes mais valorizados aos moradores e

visitantes do istmo de passagem entre Guaratuba e Caiobá, como era

aquele trecho em frente à Ilha dos Ratos, antes do advento dos ferry-

boats.

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal