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Moro confirma interferência de Bolsonaro que queria PF do Rio

Em depoimento na Polícia Federal, o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que durante reunião do conselho de minist..

Pedro Ribeiro - 05 de maio de 2020, 18:05

Isaac Amorim/MJ
Isaac Amorim/MJ

Em depoimento na Polícia Federal, o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que durante reunião do conselho de ministros ocorrida em 22 de abril, o presidente cobrou a substituição do superintendente da PF no Rio e de Maurício Valeixo da direção-geral da PF.

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O juiz Francisco Alexandre Ribeiro, do Distrito Federal, deu um prazo de 72 horas para que o Palácio do Planalto apresente informações sobre a troca no comando da Polícia Federal

Segundo depoimento, Bolsonaro teria dito que iria interferir “em todos os ministérios” e, sobre o Ministério da Justiça, se não pudesse trocar o superintendente da PF no.Rio, faria a substituição na cúpula da instituição (a direção-geral) e no próprio comando da pasta, demitindo Moro.

Moro também disse no depoimento que recebeu mensagem pelo aplicativo WhatsApp do Presidente da República, cobrando a substituição do Superintendente do Rio de Janeiro. O ex-ministro relatou que a mensagem tinha, mais ou menos o seguinte teor: “Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”.

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O ex-ministro da Justiça relatou aos investigadores que se reuniu em 23 de abril com Bolsonaro, quando o presidente lhe informou da demissão de Valeixo da direção-geral da PF. Em seguida, Moro reuniu com o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Augusto Heleno e os ministros Walter Braga Netto, da Casa Civil e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo.

No depoimento, Moro disse que informou os ministros os “motivos pelos quais não podia aceitar a substituição e também declarou que sairia do governo e seria obrigado a falar a verdade”. Segundo Moro, ele também tratou com os colegas sobre os pedidos de Bolsonaro de obtenção de relatórios de inteligência, quando o ministro Augusto Heleno teria afirmado que “o tipo de relatório de inteligência que o Presidente queria não tinha como ser fornecido”.

No dia 24 de abril Moro anunciou sua demissão e fez uma série de acusações contra o presidente Jar Bolsonaro.