Moro deixa a toga e um legado de 215 condenações e 2.036 dias de prisões

Pedro Ribeiro


 

Embora venha cumprindo papel essencial no combate à corrupção e ao crime organizado, a Operação Lava Jato deveria ter um final a partir de uma nova consciência da população para que o país possa gerar empregos, crescer e se desenvolver em harmonia. Não adianta prender todo mundo. O que precisa é que a sociedade em geral saiba que os tempos mudaram e que o crime realmente não compensa.

 

Sérgio Fernando Moro, cidadão paranaense filtrado para o bem, deixa a toga e um patrimônio de 22 anos na magistratura, conquistado ao longo de seus 46 anos de idade, quase a metade de sua vida, na prática do dever cívico, no âmbito da justiça. Um legado que o privou da vida social, mas não o fez se curvar diante das ameaças da covardia dos poderosos que tomaram de assalto a nação brasileira.

Não deixou seu maior capital, a Lava Jato e, ao assumir desafio maior como Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, promete ampliar ainda mais suas ações para colocar fim à corrupção e ao crime organizado que desviou perto de R$ 6,5 bilhões em propinas, dinheiro tirado da educação, da saúde, da segurança pública e do trabalhador brasileiro. Dinheiro que irrigou campanhas de políticos e enriqueceu ainda mais empresários envolvidos em esquemas criminosos.

Ele já sinalizou que pretende utilizar forças-tarefa, a exemplo da Lava Jato, não só contra esquema de corrupção, mas também contra o crime organizado. “Nova York, na década de 1980, combateu cinco famílias poderosas por meio da criação de forças-tarefa. O FBI, em conjunto com as promotorias locais ou federais, logrou desmantelar organizações. Embora elas não tenham deixado de existir, têm uma força muito menor que no passado”, observa o ministro.

Neutralizar os líderes das facções, isolando-os nas prisões e desenvolver uma política agressiva, não violenta, também fará parte das ações de Moro a partir de seu gabinete, no Ministério da Justiça.

Em quatro anos da Operação Lava Jato, criada em 2014, somente o juiz federal, Sergio Moro, encaminhou 45 ações na justiça, seguidas de sentenças, envolvendo pessoas e empresas que praticaram atos ilícitos com dinheiro público, em especial com dinheiro da Petrobras. Nesse período, Moro foi responsável por 205 condenações, sendo 140 de pessoas diferentes. Desse total, ele absolveu 59 condenações entre elas, 10 foram suspensas por delação premiada.

Na ponta do lápis, Sergio Moro foi o responsável por um total de 2.036 anos, 4 meses e 20 dias de prisões de personalidades da vida pública e privada do país, inclusive o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de parlamentares e agentes públicos.

Em pouco mais de duas décadas, o juiz federal, nascido em Maringá, no interior do Estado do Paraná, se firmou em Curitiba e se notabilizou pela coragem de, após denúncias e comprovações, julgar e determinar a prisão de corruptos.

Conquistou centenas de inimigos, mas sabia que valeria a pena lutar por uma causa que pode, a médio e longo prazo, levar o Brasil a uma posição melhor no ranking da corrupção mundial. Foi e continua sendo perseguido por políticos e advogados de defesas que não concordam com suas ações e atos. É o ônus que levará pelo resto da vida. De um lado, um pelotão de brasileiros que o apoiam e, do outro, também um grande números de pessoas descontentes que continuam a questionar seus métodos.

A operação Lava Jato é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve. Estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres da Petrobras, maior estatal do país, esteja na casa de R$ 7 bilhões.

Números da Lava jato

– 2.476 procedimentos instaurados
– 1.072 mandados de busca e apreensão
– 227 mandados de condução coercitivas
– 120 mandados de prisões preventivas
– 138 mandados de prisões temporárias
– 6 prisões em flagrante
– 548 pedidos de cooperação internacional
– 176 acordos de colaboração premiada (pessoas físicas)
– 11 acordos de leniência
– 1 termo de ajustamento de conduta
– 82 acusações criminais contra 347 pessoas

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal