Moro deixa Justiça com “bomba” no Palácio do Planalto

Pedro Ribeiro

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Ao deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz federal, Sergio Moro, jogou, literalmente, uma bomba no Palácio do Planalto, acusando o presidente Jair Bolsonaro de ter agido politicamente ao substituir o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, para ter acesso às investigações desenvolvidas pelo órgão, deixando claro, ainda, que haverá um impacto negativo no combate à corrupção no país.

Para Moro, o papel da Polícia Federal não é o de fornecer informações das investigações que faz em todo o país e fora dele. Foi clara a intervenção política do presidente Bolsonaro que quer saber, também, de tudo o que acontece dentro da Polícia Federal. “Nosso dever é proteger a Polícia Federal”, disse Moro.

Uma dessas investigações que supostamente o presidente gostaria de saber se refere ao movimento político que aconteceu no domingo (17) onde manifestantes bolsonaristas pediram a volta do AI-5 e do regime militar. Certamente essa investigação teria impacto negativo junto ao Palácio do Planalto, porque o próprio presidente estava na linha de frente da manifestação.

O Palácio o Planalto considerou o pronunciamento de Moro como um desastre político, embora o próprio ministro da Justiça tenha dito que não gostaria de criar uma crise política no governo no meio da pandemia do coronavírus. Segundo fontes do Planalto, provavelmente do “gabinete do ódio”, o governo vai querer que Moro prove tudo o que disse.

As graves denúncias de interferência de Bolsonaro abre mais uma brecha para um possível impeachment do Presidente da República, que já tem três ações neste sentido na Câmara Federal.
Símbolo da Operação Lava Jato, que colocou centenas de corruptos na cadeia, Moro disse que “o presidente não me quer no cargo” e que sua saída resguardaria sua biografia como ex-juiz federal com 22 anos de magistratura e seu compromisso de cumprir a lei e o Estado de Direito.

Moro disse que Bolsonaro rompeu o acordo da carta branca para ele nomear o diretor-geral da Polícia Federal e reafirmou que nunca houve acordo para ele ser nomeado ao Supremo Tribunal Federal. A “única coisa que pedi ao presidente Bolsonaro quando assumi o Ministério da Justiça foi que eu pudesse ter uma pensão para minha família, já que eu iria lidar com pessoas perigosas”.

No final de seu pronunciamento disse que iria arrumar as gavetas e descansar, pois há muito tempo, desde a Operação Lava Jato, não tem umas férias e que depois iria procurar emprego, pois não ficou rico como funcionário público.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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