Nervosismo nos bastidores da 
Convenção do MDB neste sábado que elegerá presidente do partido

Pedro Ribeiro

Roberto Requião perde prévias internas e deixa MDB

 

Ao colocar seu nome como candidato à presidência do MDB paranaense na convenção que será realizada neste sábado (31), o ex-governador Roberto Requião estará colocando, também, em jogo, todo seu histórico e legado político caso saia derrotado.
Ele disputará contra o deputado estadual Antonio Anibelli Netto.
A votação se dará de forma híbrida, para os delegados que já se cadastraram para o modo virtual, ou aos que assim desejarem, estarão presencialmente na Sala de Eventos Graciosa, do Hotel Aladdin, no centro de Curitiba. No entanto, será feito acompanhamento no local para não haver aglomerações.
O ex-Governador do Paraná Roberto Requião encabeça a chapa 1, “Sempre MDB”, com a intenção de, no próximo ano, lançar-se candidato ao Governo do Estado nas eleições. Já a chapa 2, “MDB de Todos”, reúne uma ala do partido que tem demonstrado interesse apenas em apoiar o atual Governador Ratinho Jr.
Requião tem afirmado ao blog do jornalista Esmael Moraes que vencerá o pleito com 97% dos votos, enquanto o outro lado sustenta que ele não fará mais do que 30% dos votos.
Requião também afirma que tem reunido grande número de apoiadores para manter viva a chama do “velho MDB de guerra”.
Caso perca a disputa, Requião, que é o filiado número 1 do MDB do Paraná e fundador do partido no Estado, deve anunciar sua mudança de sigla. Deverá se filiar no PT de Lula, Gleisi e Verri.
O outro lado também discorda e garante que Requião não é o filiado número 1 do partido.
Por que o Requião quer o comando do MDB?
Nos bastidores a discussão vai além das divergências políticas.

Nos últimos anos, o MDB do Paraná tem tido suas prestações de contas anuais seguidamente desaprovadas ou com anotações para desaprovação pela Justiça Eleitoral com a aplicação de multa e imputação de ressarcimento (devolução) em decorrência da aplicação ilegal do Fundo Partidário.
Nas contas de 2015, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, em decisão unânime da corte, determinou a devolução de R$ 503.479,23 pela aplicação irregular do Fundo Partidário pelo Diretório Estadual do MDB, a época presidido por Roberto Requião. Na referida decisão, além da pena imposta ao MDB do Paraná de devolver mais de meio milhão de reais, apontou algo que tem deixado os correligionários emedebistas perplexos e que estão tendo conhecimento somente agora.
Na eleição de 2014, quando concorreu ao governo estadual, Roberto Requião deixou uma dívida de campanha de R$ 1.345.136,70 que, no ano seguinte, foi integralmente assumida pelo Diretório Estadual do MDB, à época presidido pelo próprio Roberto Requião.
Em 2016, já na eleição municipal, o Diretório Estadual do MDB gastou R$ 534.000,00 na campanha de prefeitos e vereadores em todo Paraná. Daquele valor, R$ 515.000,00 foram destinado a um único candidato, Requião Filho, que concorreu à prefeitura de Curitiba que, no final da campanha, ficou em 5º lugar com apenas 5,6% dos votos dos curitibanos perdendo, inclusive, para candidata do PP, Maria Victoria, da tradicional família Barros de Maringá.
Neste sábado (31), muito mais do que eleger o próximo Diretório do MDB do Paraná, para Roberto Requião está em jogo outra situação: quem continuará a pagar as contas da família Requião?

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="779531" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]