No Brasil, como sempre, os partidos do deboche

Pedro Ribeiro


 

Chegamos ao cabo de mais um ano  em que pensávamos que estaríamos livres de epítetos debochados e depreciativos que marcaram, como divisor de águas, a disputa e os ânimos do mundo político sintetizado pelas indefectíveis expressões dos Coxinhas e Mortadelas. O Brasil tem estas características, no fim tudo se resume em uma palavra supostamente agressiva e humilhante que expresse os sentimentos de abjeção que se tem de lado a lado.

Ao menos não se assemelhou neste aspecto à  tradicionalíssima e histórica disputa quer reuniu legalistas e imperialistas no Rio Grande o Sul, no início do século passado, os famosos Chimangos e Maragatos engalfinhados em sangrentas batalhas. Talvez das pesadas expressão cunhada até o momento para definir um dos lados em disputa, tenha sido justamente o epíteto de Chimango, dado pelos conservadores ao liberais moderados.

Chimango é ave de rapina, oportunista e caçadora, também conhecido por muitos gaúchos como nada encantador nome de vira-bosta. Irônico é que o termo pejorativo de revide, para o outro lado, o de  Maragatos, dado pelos federalistas aos defensores do império com a conotação de serem estrangeiros, tenha se transformado depois, no decorrer dos anos, em expressão positiva e que ainda hoje é utilizada pelos gaudérios pilchados com seus lenços vermelhos amarrados no pescoço e cheios de orgulho.

Vá entender esses gaúchos!

Com Coxinhas e Mortadelas definitivamente banidos e desterradas, achávamos que estaríamos livres desses apelidos de mau gosto e fecharíamos o ano, – óh, graça frustrada – isentos de culpa em qualquer conversa sobre política. Todo mundo conversando com serenidade sobre assuntos de natureza do interesse público, respeitosamente assentada em planos de linguagem, coloquial, que fosse, de inteligente ironia, tavez!

Mas eis que no meio do caminho, já em meados do ano, surge um capitão reformado do Exército, com conversa e jeitos destrambelhados, e pronto! Volta-se a estaca zero! Lá vem os epítetos depreciativos, alguns ainda mais raivosos, e surge o “ Coiso”, expressão para lhe dar identidade, e os “bolsomínios”, para os que rezam na sua cartilha nada evangélica.

Seria muito mais fácil aos políticos, pela pretensa sensibilidade e percepção que lhes atribuem, parar de insistir em dar nomes pomposos aos partidos a que estão filiados, e partir logo para  o que é mais prático e simples. Seria a maneira de tornar mais conhecidos os partidos porque os nomes já estão na linguagem popular : Partido do Coiso – partido dos Bolsomínios – Partido dos Coxinhas – Partidos Mortadelas – Partido sem Partido – e por ai afora.

Iam ganhar muito mais votos!

 

 

Imagem de deboche de Gilmar Mendes

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal