No Brasil não há mais espaço para amadores e irresponsáveis na política e nem no comando da Nação

Pedro Ribeiro

Fotos produzidas pelo Senado bandeira do brasil

 

Os brasileiros foram novamente às urnas para mostrar ao mundo que o Brasil é um país democrático e que, se vierem as mudanças que o povo deseja, a Nação voltará a ser respeitada em nível internacional e seu crescimento e desenvolvimento será natural. Crise econômica, política e social, em especial nas áreas da segurança pública, educação e saúde, são desafios que o novo presidente terá que assumir com perspectivas de melhoras porque, caso contrário, o povo voltará às ruas e, como tirou o PT do poder, poderá tirar, também, a extrema direita ou qualquer outra facção ou ideologia.

Há um amadurecimento político entre a população que sabe, hoje, o que quer, graças à evolução tecnológica, em especial na área da comunicação, onde mais de 100 por cento dos brasileiros estão conectados na internet ou nas redes sociais. Estas eleições foram um termômetro que serviu para medir o grau da discussão política e da representatividade do povo no Congresso Nacional onde, efetivamente, se desenha os destinos da nação.

Foram nas urnas desta eleição, por exemplo, que os eleitores deram um basta a políticos tradicionais que fizeram da política uma profissão esquecendo-se de prestar contas aos seus eleitores e à Nação. Foram varridos do mapa político e muitos deles deverão prestar contas com a justiça por envolvimentos em corrupção e colocados, em seus lugares, pessoas mais novas que, a princípio, parecem estar interessadas nos destinos do país e de seu povo.

O Brasil deverá mudar a partir de hoje. Vejam também abaixo, editorial do Estadão que fala sobre as eleições e as perspectivas da população brasileira:

 

Sem terceiro turno

O próximo presidente e aqueles que estarão na oposição devem ter a grandeza de compreender que o País não pode ficar em campanha eleitoral permanente

Depois de uma campanha eleitoral especialmente truculenta, em que a baixaria atingiu níveis inéditos e houve até atentado a faca contra um dos candidatos, os eleitores irão hoje às urnas praticamente sem saber o que de fato os dois postulantes à Presidência da República pretendem fazer para resolver os gravíssimos problemas nacionais.

A pobreza das propostas foi escamoteada pela troca de insultos e pela histeria, num clima de briga de torcidas que contaminou até mesmo as relações familiares e de amizade – não foram poucos os brasileiros que romperam contato com parentes e conhecidos em razão de suas opções políticas.

Ou seja, a campanha eleitoral que hoje termina foi muito além do tradicional e algumas vezes agressivo embate de programas para o País, quase sempre superado assim que as urnas fecham; o que se viu, por todos os lados, foi a completa recusa de ouvir a opinião alheia, de reconhecer a legitimidade de quem pensa de modo diferente e de usar a razão em vez da emoção. Provavelmente o desfecho da eleição não desanuviará de imediato tal clima de hostilidade.

Pode avizinhar-se, portanto, um terceiro turno, pois o resultado da eleição talvez não seja suficiente para aplacar os ânimos. Mas é preciso esquecer os discursos inflamados em que um lado falava em “metralhar” os simpatizantes do rival e o outro tratava o adversário como um ditador em potencial. Espera-se que a proclamação do vencedor seja capaz de encerrar a contenda eleitoral, a despeito da virulência da campanha. Afinal, o País necessita urgentemente de estabilidade e de medidas concretas para superar seus profundos desequilíbrios fiscais e estruturais, algo que só será possível por meio de um amplo acordo político.

Não se chega ao estado de espírito que presidiu a campanha por acaso. Foram anos de corrupção, desmandos e desfaçatez por parte do grupo político que, capitaneado pelo hoje presidiário Lula da Silva, chegou ao poder disposto a dali nunca mais sair – e do qual o candidato Haddad é herdeiro consagrado. A reação a essa ofensiva antidemocrática – materializada na Operação Lava Jato -, se deve ser louvada por ter exposto o assalto que estava sendo cometido aos cofres públicos, por outro lado demonstrou lamentável inclinação para a ribalta e o messianismo. Todos os políticos passaram a ser considerados igualmente corruptos até prova em contrário, instaurando-se um clima de caça às bruxas que só poderia resultar na emergência de políticos oportunistas que se apresentaram como “antissistema” – caso do candidato Bolsonaro. Pouco importavam suas propostas para o País – que, aliás, ninguém sabe quais são, pois elas não foram explicitadas, limitando-se a bravatas e slogans.

O outro lado tampouco ajudou. Ao contrário: Lula abastardou a campanha eleitoral ao usá-la escandalosamente em sua estratégia para tentar sair da cadeia, lançando como candidato um mero preposto, Fernando Haddad, e induzindo seus fanáticos seguidores a conflagrar ainda mais a Nação.

Quem realmente se importa com o País deve aceitar o dia de hoje, quando se encerra a eleição, como o ponto final desse enredo de horror. Urge que a classe política, a começar pelos partidos que disputam o segundo turno, deixe de lado a irresponsabilidade e se esforce para colocar o interesse público em primeiro lugar. Não é hora senão da reconciliação, e o exemplo deve partir dos líderes políticos. Uma vez encerrada a votação e conhecido o vencedor, o próximo presidente e aqueles que estarão na oposição devem ter a grandeza de compreender que o País não pode ficar em campanha eleitoral permanente.

Há muito trabalho a ser feito, e uma parte significativa desse trabalho – como as reformas constitucionais – só poderá ser realizada se houver amplo consenso. Para isso, o compromisso com a democracia, proclamado durante a campanha pelos dois candidatos, não pode ser da boca para fora. Tanto quem ganhar como quem perder deve ser capaz de conviver com seu adversário, reconhecendo-lhe a legitimidade. Mais de uma década sob governos de um partido que dividiu o País em “nós” e “eles” e cujos líderes nunca desceram do palanque foi o bastante para sabermos o mal que isso faz.

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal