No debate, quem mais apanhou não estava presente: Beto Richa

Pedro Ribeiro

O debate da Band Curitiba mostrou que a maioria dos candidatos está preparada para a gestão do executivo estadual. Pelo que observamos, mergulharam em estudos e desnudaram um Paraná que, segundo eles, é um Estado falido em praticamente todas as áreas, principalmente as essenciais, como saúde, educação e segurança pública, além da própria gestão do dinheiro público. Um Estado sem planejamento e c om um único culpado por esta falência que, infelizmente, não estava na fileira do debate: Beto Richa.

Os seis candidatos nos mostraram um Paraná cheio de problemas e também cada um, à sua maneira, tem solução para tudo. Nos fizeram ver, pelas suas leituras que temos, hoje, a maior produção agrícola por metro quadrado do mundo mas, em contrapartida, um dos piores IDH e um sistema modal de transporte dos mais caros do mundo. Que, nos três estados do sul, somos o primeiro em mortalidade infantil e materna e à mercê da criminalidade.

Para a maioria dos candidatos, a educação está defasada e a saúde encontra-se na UTI. Mas, o que mais foi discutido entre os seis candidatos foi a questão da segurança pública, a principal preocupação da família paranaense. Todos falaram em integração das polícias, em mais policiais nas ruas, manutenção e compra de equipamentos e maior segurança nas fronteiras e pouco se falou no crime organizado que comanda a criminalidade de dentro dos presídios.


Não houve agressões mútuas no debate. Também não foi um filme de monge tibetano. O candidato João Arruda, do MDB, se posicionou como de oposição e, durante todo o seu tempo de perguntas e respostas, sempre colocou os candidatos Ratinho Junior (PSD) e Cida Borghetti (PP), como governo de Beto Richa, portanto, responsável por todas as demandas não atendidas à população, as mazelas e corrupção que afundaram o Paraná. Colocou o dedo na ferida quando mostrou os saques realizados na Previdência do Estado e o risco que poderá trazer em futuro breve.

Arruda também foi muito questionado, principalmente pelos dois candidatos de esquerda, Dr. Rosinha, do PT, e professor Piva, do PSOL, por fazer parte do partido do presidente Michel Temer. Era evidente a provocação, mais por mágoa dos que ainda pregam, ou seja, o suposto “golpe” dado em Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, desmontando o poder petista em nível nacional.

O candidato Ogier Buchi foi uma espécie de levantador de bola, principalmente para a governadora Cida Borghetti, mas não provocou e também não atacou. Acabou, no final, servindo também para outros debatedores. Embora tenha, a princípio, sido rifado pelo partido em nível nacional o PSL, acabou defendendo o candidato do partido à Presidência da República, Jair Bolsonaro, principalmente na questão do chamado Estado mínimo e segurança pública, através do armamento da população.

Cida Borghetti, com fala mansa, não comprometeu e acabou respondendo a todas as perguntas formuladas por seus adversários e também não caiu nas provocações, principalmente de João Arruda e Dr. Rosinha. A governadora se pautou mais na questão da saúde da mulher, embora tenha sido bastante questionada por Piva e Rosinha sobre a questão do reajuste para o servidor público e sobre o confronto entre policiais e professores na Praça Nossa Senhora da Salete.

Piva, em todos os momentos tentou provocar os candidatos que não entraram em bola dividida. Pautou-se mais na área da educação e na defesa dos trabalhadores sem terra e em críticas ao governo anterior e atual envolvendo também o candidato Ratinho Junior.

Ratinho Junior trouxe para o debate dois temas que vem dominando ao longo dos anos: agricultura e emprego. Durante todo o debate procurou não agredir nenhum dos candidatos e foi sóbrio nas perguntas e mostrou conhecimento nas respostas.

Doutor Rosinha também procurou priorizar sua área, a saúde, embora tenha sido o candidato que mais atacou os adversários, principalmente João Arruda, Cida e Ratinho Junior.

Temos, portanto, seis candidatos que afirmaram, no debate, que assumirão o Palácio Iguaçu no dia primeiro de janeiro de 2019. Uns acabando com os contratos das concessionárias do pedágio, outros criando bancos para o agricultor e para a mulher empreendedora e reduzindo o número de secretarias, hoje em 30 para 15, diminuindo as mordomias. Todos com boas intenções e uma campanha que promete ser dura.

Na foto de Eduardo Matizyak, os candidatos ao Senado, Roberto Requião e Newton Friederich e a vice-candidatada de João Arruda, Eliane Cortez

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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