O aperto da repórter com Maluf

Pedro Ribeiro


Com a prisão do deputado federal Paulo Maluf, do Partido Progressista, que se entregou à Polícia Federal depois de decisão do ministro Edson Fachin (STF) para que ele cumpra em regime fechado a pena de 7 anos, 9 meses, por desvio de dinheiro da Prefeitura de São Paulo na década de 1990, me lembrei de um fato curioso que aconteceu há 20 e poucos anos atrás, em Curitiba.

Paulo Maluf, em campanha nacional, veio ao Paraná. Uma repórter, correspondente à época do jornal O Globo, tinha, como pauta, uma entrevista exclusiva com o cidadão à pedido da editoria no Rio. A jornalista, muito competente, foi cumprir a missão, mas esbarrou na apertada agenda do então candidato. Houve o seguinte diálogo:

Dr. Paulo. Preciso de uma entrevista para o Globo.

Ok. Mas tenho que ir para o aeroporto. Você não quer me acompanhar, disse Maluff.

Com prazer, mas tenho um probleminha: preciso levar minha filha junto que acabo de pegar no colégio.

Sem problemas, vocês vão no meu carro.

E lá foram para o Aeroporto de São José dos Pinhais, quando teve início à entrevista:

Dr. Paulo Maluf, disse a repórter, imediatamente interrompida pela filhota que ergueu o pequeno tom da voz e perguntou: mamãe é este Maluf que a senhora diz la em casa que é o maior ladrão do Brasil?

Foram cinco segundos de silêncio até que o esperto político disse: é, minha filha, todos me chamam de ladrão, mas não sou. Acontece que já  absorvi quando falam que Maluf é ladrão mas faz.

A repórter, habilidosa, fez de conta que a conversa não era com ela e continuou sua entrevista. Foi a própria que contou o episódio aos amigos jornalistas para o deleite da galera.

pedro.ribeiro

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal