O Brasil precisa ser refeito ou vamos enxugar gelo

Pedro Ribeiro


 

Se estivéssemos em uma situação econômica relativamente confortável e distantes das agruras provocadas com a crise moral, ética e principalmente em meio uma recessão profunda, qualquer mudança que se propusesse para o País teria necessariamente que passar pelo questionamento do gigantismo do Estado Brasileiro.

Temos uma máquina pública no âmbito da União, ineficiente, cabideira de empregos, inepta e inócua, que devora os recursos do orçamento da União e os tributos pagos pelos brasileiros. Pouco sobra para investimentos.

Nos últimos anos em que o Pais foi administrado pelo sindicalismo populista em aliança com a esquerda lupanária e patrimonialista, essa situação só se agravou. Pouco se deu importância em consequência do bom desempenho da economia mundial no período,  que sustentava nosso ambiente interno com a compra de commodities, principalmente a China, cujo PIB crescia a 12% ao ano e que, agora beira aos 7% e ainda assim contribui com quase 88 bilhões de dólares das exportações brasileiras estimadas para este ano em 230 bilhões de dólares, ainda sustentando em parte nossa economia.

Poderemos vencer a recessão econômica a partir do próximo governo, como já demonstra o mercado em ainda tímidos passos diante da falta de credibilidade do atual governo e da balbúrdia e  insegurança que existe. Mas, ainda assim, não estaremos livres de nos defrontarmos com outras crises se não houver uma refundação do Estado Brasileiro, para reduzir seu tamanho e dotá-lo de quadros eficientes.

As privatizações de algumas das mais de 400 estatais é o primeiro passo. Há também estudo para disciplinar a bagunça em que se transformou a política de cargos e salários na esfera federal, elaborados pelo atual Ministério de Planejamento.

Existem hoje 309 categoria funcionais, com salários e prebendas que ninguém mais controla no âmbito do governo  federal e há escandaloso sistema de pagamentos absolutamente fora de propósito.

A proposta é reduzir para 20 categorias apenas. Nos Estados Unidos, salvo engano, são 19. E fixar salários base e teto, com proibição de incorporação de outras prebendas nos vencimentos.

Para se ter uma ideia, o Brasil tem hoje somente no âmbito federal, 2,2 milhões de servidores, 250 mil a mais que havia dez anos atrás. No período, as despesas da União com gastos de pessoal, saltou de 115 bilhões de reais para 264 bilhões de reais, um aumento correspondente a 129%.

Os dados são do Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Somente este quadro já evidencia a necessidade de refazer o Estado Brasileiro, e isso precisa ser encarado por qualquer governo que se preze e demonstre honestidade de propósitos em fazer deste País uma nação com perspectivas de novos horizontes.

Se ficarmos apenas discutindo e adotando medidas e modelos econômicos em função das circunstâncias de uma conjuntura e não olharmos para o que realmente importa, estaremos imitando o cachorro que corre em voltas querendo apanhar o próprio rabo.

Ou, no mínimo, estaremos enxugando gelo.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal