O camburão emperrou

Pedro Ribeiro


Várias pessoas me telefonaram perguntando o que, efetivamente, aconteceria com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a decisão do Supremo Tribunal Federal? Pois é, Lula não será preso, pelo menos antes do dia quatro de abril. Então, quando será? Se os guardiões da Constituição tomam uma medida dessas, colocando em risco a Operação Lava Jato e desacreditando ainda mais a sociedade que já está pelos bigodes com a classe política, a resposta a estas perguntas, ninguém sabe, ou ninguém tem.
O que vimos e podemos tirar conclusão é de que, cada vez mais, entenderemos menos sobre as ações do Supremo Tribunal Federal e aprendemos mais com advogados especialistas a livrar a cara de corruptos, condenados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro como é o caso de Lula.

Os brasileiros que nesta quinta-feira não tiraram os olhos da televisão, dos smarth fones e passaram o dia ouvindo notícias nas rádios acordaram nesta sexta-feira ainda mais decepcionados. Pelo menos grande parte, enquanto uma outra parcela, embora menor, comemorava. Os brasileiros ouviram, por exemplo, a ministra Cármen Lúcia afirmar, por várias vezes, que o ex-presidente seria tratado como qualquer outro condenado, mas, o que vimos, foi os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) protegerem Lula, condenado a 12 anos e 1 mês de cadeia por corrupção.
Atropelaram o Tribunal Regional Federal (TRF-4), a súmula 691 e o entendimento de todas as instâncias que negaram o benefício. O STF criou um monstro proibindo a prisão de um corrupto condenado antes do julgamento do habeas corpus.

A jornalista Eliane Catanhêde, do Estadão, tenta explicar: “A questão fica ainda mais dramática por causa do calendário da própria Justiça, já que o TRF-4, em Porto Alegre, vai concluir o julgamento de Lula na próxima segunda-feira. Se os desembargadores votarem os embargos de declaração de forma unânime, como é esperado, Lula já poderá ser preso a qualquer momento após os cumprimentos de formalidades”.

Então, diz ela, Lula já poderá ser preso, sem que ninguém saiba se o Supremo vai, ao final e ao cabo, acatar ou não o habeas corpus que pode suspender e adiar a prisão do ex-presidente mais popular desde a redemocratização. Em resumo: Lula poderá ser preso, mas não poderá ser preso. Estará de malas prontas para uma sala especial na Polícia Federal ou equivalente, mas sem saber se o avião vai decolar – ou o camburão vai engatar primeira.

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="512070" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]