O comentário gozador do presidente de Portugal e os jabutis brasileiros e lusitanos

Pedro Ribeiro

No dia da posse do presidente Jair Bolsonaro, procuramos personalidades do mundo político para registrarmos em nossos artigos e até mesmo em reportagens. Publicamos aqui a presença discreta, mas prestando muito a atenção em tudo, do nosso sócio boliviano, Evo Morales, um dos mais beneficiados pelo esquema do PT nos últimos anos. E observamos também a presença do presidente de Portugal.
Esse presidente atual de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza deve ser uma figuraça. Entrevistado por uma emissora de televisão no dia da posse do presidente Jair Bolsonaro, após a sessão de cumprimentos no Palácio do Planalto, respondeu a pergunta do repórter com um sorriso sarcástico e gozador e saiu logo do foco da câmara. Deu para perceber que ria da própria resposta.

O repórter perguntou a ele a sua impressão sobre a posse de Bolsonaro, acrescentando aquelas coisas de praxe, sobre como ele via a perspectiva de relacionamento entre os dois países, coisas desse gênero. Com sorrisinho nos lábios já no início da entrevista, respondeu que não seria nada fácil para o presidente empossado tratar dos problemas que terá pela frente.

– É complicado! No Brasil quem governa é o presidente que também é primeiro ministro – respondeu o português com sorriso irônico antes de se afastar dando risada. Como quem dissesse que no Brasil, independentemente de ser Bolsonaro que estava assumindo, ser eleito presidente é um verdadeiro abacaxi, encrenca grande a que só malucos se aventuram.

A julgar pelas centenas, milhares de jabutis que subiram nas árvores do País nestas últimas duas décadas, todos eles alimentados pelas políticas governamentais populistas e sindicais, o presidente de Portugal não deixa de ter fundamentadas razões. Teria estoque de gozações para preencher até mesmo as caravelas de seus antepassados, o almirante Vasco da Gama acompanhado de Pedro Álvares Cabral, trazendo junto Pero Vaz de Caminha, este último conhecido pela célebre frase sobre da nova terra descoberta carta que enviou a Dom Manoel, então rei de Portugal.


Aqui, em se plantando, tudo dá! – resumia profeticamente a carta de Caminha.
E de fato tudo dá!
Dá jabuti em árvores que é uma maravilha

Pode ser pela lembranças desses episódios históricos que o presidente de Portugal tenha se permitido fazer a brincadeira que fez com o repórter, ainda que estivesse coberto de razão e de eventual sentimento lusitano de quem se pergunta: “ Como foi que vocês fizeram esses estragos todos desde que aqui chegamos como descobridores?”

Não que Portugal tenha se mantido ao longo dos séculos que se passaram aos dias atuais, ele um País que viveu aos tropeços e junto com a Espanha eram com as economias mais pobres do continente Europeu, sendo ajudados financeiramente para fazer parte do mercado Comum europeu. Até mesmo na seara política, Portugal andou capengando a ponto de se assemelhar poucos anos atrás ao Brasil contemporâneo.

Também lá, teve jabuti que andou subindo em árvores, coincidentemente no mesmo período em que no Brasil a espécie se proliferava desbragadamente e já fora de controle da cadeia alimentar. Esses laços de irmandade entre o povo brasileiro e o português se reproduziu, o mundo gira e a lusitana roda.

Também em Portugal, com sistema de governo misto e menos complicados aos olhos do atual presidente lusitano, um primeiro- ministro com nome de filósofo grego, José Sócrates foi trancafiado na prisão, condenado  por lavagem de dinheiro e fraude fiscal. Ele governou o país de 2005 a 2011, coincidentemente época em que aqui no Brasil, Luís Inácio Lula da Silva chegou a exercer a presidência da república e hoje amarga na cadeia, mais especificamente confinado a uma sela da Superintendência da Polícia federal em Curitiba.

Sócrates ficou em casa durante dez meses, em prisão preventiva. Quase o mesmo tempo em que Lula ainda permanece trancafiado.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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