O dia em que Ratinho salvou nosso couro

Pedro Ribeiro

 

Se o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, está, hoje, desfrutando de posição privilegiada junto à classe média alta brasileira, é porque trabalhou para isso, porque quem o conheceu, como eu, nos tempos em que trabalhava como animador de ações culturais na Secretaria da Cultura, na gestão do secretário Fernando Ghignone, sabe que ele comeu o pão que o diabo amassou. A estas alturas, 1983, certamente já puxava o cobertor do filho, Junior, preparando-o para o futuro.

Foi no corredor da Secretaria da Cultura, ao pé da escada, que um dia Ratinho me disse que seria vereador em Curitiba, deputado federal e quem sabe prefeito. Foi vereador e deputado. Enquanto isso, comia pão com ovo e tomava rabo de galo no boteco da dona Maria, na Saldanha Marinho, próximo ao prédio. Era o início de seu trabalho, também, como repórter policial e mais tarde como apresentador de programa de televisão, também policial, o que o levou para São Paulo e ao sucesso.

Nesta época, Ratinho também fazia free lancer como animador de palco. Pau para toda obra. Certa ocasião, havia uma inauguração de asfalto no município de Pato Bragado, já no governo Alvaro Dias, e eu, na Secretaria dos Transportes, ao lado do secretário Heinz Herwig e do diretor-geral do DER, Antonio José Correa Ribas, convidamos o Ratinho para a inauguração. Fomos todos juntos para a região.


Cidade pequena, no palco Ratinho desempenhando seu papel, chamando todo mundo para participar da inauguração. Em frente ao palanque, foram juntando pessoas e, se não me engano, acho que toda a cidade estava ali para o inusitado evento. A estas alturas, o governador Alvaro Dias já estava se posicionando para subir no palanque para o discurso enfatizando a importância obra para o desenvolvimento da região.

Foi quando Ratinho pede silêncio e a plateia atende. No exato momento passa por cima do público um pequeno avião que dá duas voltas sobre a cidade. Ratinho diz: atenção pessoal! agora vocês vão ver cair hominho do céu. Silêncio total e olhos voltados para a aeronave.

De repente um paraquedista salta do avião e o povo vai ao delírio. Só que o protagonista, geólogo José Alfredo Stratmann, chefe de gabinete do secretário Herwig e esportista nas horas vagas, erra no cálculo da descida e cai a 500 metros de onde estava o palanque, com o governador Alvaro Dias já posicionado para falar. Foi um Deus nos acuda. Todo mundo que estava em frente ao palanque, inclusive o prefeito, saiu correndo para ver o paraquedista.

Ratinho aumenta o tom de voz, chama o povo novamente e, por nossa sorte, o Stratmann vem correndo até o palanque trazendo o povão de volta. Não preciso dizer sobre o olhar de desdém do então governador. Se não fosse por sua rápida intervenção, estaríamos todos demitidos. No final, deu tudo certo. Este é o Ratinho que, imagino, jamais pensaria que seu filho, o Junior, estaria hoje em palanques deste interior discursando como Governador do Estado do Paraná.

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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