O discurso e as promessas que os brasileiros queriam. A verdade acima das mentiras

Pedro Ribeiro

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O discurso de Joe Biden peloa passagem dos 100 dias de governo foi uma peça cristalizada a qual a maioria, senão todos, os brasileiros gostariam que isso acontecesse no Brasil. Ele prometeu um conjunto de medidas no valor total de US$ 4 trilhões (cerca de R$ 21,4 trilhões), incluindo a expansão do ensino gratuito, desde a educação infantil à superior, e também a assistência financeira a crianças pobres.

Enquanto isso, só nos Ministérios da Saúde e Educação, tivemos mudanças de três a quatro ministros e a situação continua a mesma, sem perspectivas boas para o futuro. Pior ainda, sem o Censo de 2021.

Biden reafirmou promessa de aplicar nos americanos 100 milhões de doses de vacina contra a covid-19 nos seus primeiros 100 dias de mandato (o número já passa de 220 milhões de doses aplicadas). No Brasil não chegamos a 15% de uma população de 212 milhões de pessoas.

Ao cumprimentar “a senhora vice-presidente e a senhora presidente da Câmara”, Biden acrescentou: “Nenhum presidente jamais proferiu essas palavras nesta tribuna. Nenhum presidente jamais proferiu essas palavras, e já estava na hora”. ‘A verdade acima das mentiras’

Biden começou seu discurso ao Congresso com uma referência não muito sutil ao seu antecessor, Donald Trump.

O atual mandatário disse que “herdou uma nação em crise”, e descreveu os EUA como uma “casa em chamas”.

“Agora, depois de apenas 100 dias, posso contar à nação: os EUA estão progredindo novamente”, disse ele, acrescentando que o país nunca fica parado.

“Os EUA estão emergindo de novo. Escolhendo a esperança em vez do medo. A verdade acima das mentiras. A luz sobre as trevas. Após 100 dias de recuperação e renovação, os EUA estão prontos para decolar. Estamos trabalhando novamente. Sonhando novamente. Descobrindo novamente. Liderando o mundo novamente.”

Parcela de contribuição dos ricos

Grande parte do discurso de Biden se concentrou em vender seus planos de grande investimento para reformar a infraestrutura e os programas sociais dos EUA.

O American Jobs Plan, por exemplo, tem US$ 2,3 trilhões (cerca de R$ 12,3 trilhões) previstos para um pacote de infraestrutura — e com esperada geração de empregos —, incluindo obras de transporte público, ferrovias, aeroportos, saneamento, internet banda larga de alta velocidade, estradas e pontes, hospitais e creches.

E todos esses planos dependem do aumento de impostos sobre os ricos.

O presidente insistiu na noite de quarta-feira que era um jogo justo.

“É hora de as corporações americanas e o 1% mais rico dos americanos pagarem sua parte justa. Apenas paguem sua parte justa”, disse ele.

Muitas empresas sonegam impostos por meio de paraísos fiscais, da Suíça às Bermudas e às Ilhas Cayman, e se beneficiam de brechas e deduções fiscais que permitem o offshoring de empregos e a transferência de lucros para o exterior. Isso não está certo.”

Biden enfatizou que sua proposta de reforma tributária ajudaria a “recompensar o trabalho, não a riqueza” e afetaria “três décimos de 1% de todos os americanos”.

A Casa Branca indicou que o pacote seria viabilizado pelo aumento em quase duas vezes da alíquota de imposto de renda sobre ganhos de capital acima de US$ 1 milhão, chegando a 39,6%; e também pela elevação da alíquota para famílias com renda superior a US$ 400 mil.

O governo também iria “reprimir” os milionários e bilionários que trapaceiam nos impostos.

“Olha, não pretendo punir ninguém. Mas não vou aumentar a carga tributária da classe média deste país”, disse Biden.

“O que eu propus é justo.”

PRONUNCIAMENTO DE LÍDER MUNDIAL

Alceo Rizzi

Presidente dos EUA, Joe Biden, faz pronunciamento forte no Congresso Americano, visão de estadista disposto a exercer papel histórico pela condição e influência expressiva de ser a liderança do maior país do mundo. Discurso de improviso, mais de uma hora, abordagem de defesa dos interesses americanos, com visão de liderança mundial diante de conflitos internos, incluindo a onda de supremacia branca e seus conflitos e competição com outras nações, além da preocupação com a sobrevivência do planeta. Impressiona. Mesmo diante de questionamentos de geopolítica e de poder de quem defende interesses hegemônicos. Como vice do antecessor, Barack Obama, Biden aproxima mais a sua imagem à de Jonh F. Kennedy, presidente americano na era da guerra fria e, de improviso faz lembrar dele quando nos anos 60, em seu discurso de posse, deixou a frase marcada com a afirmação e a indagação ao cidadão americano; em vez de ele dizer o que os EUA poderia fazer por ele, perguntasse o que ele poderia fazer pelo seu país? Em inteligente referência crítica ao presidente antecessor, sem nomina-lo ou fazer ataques, lapida o discurso, diz que o País deve ser a força de seu exemplo, não exemplo de sua força. Que assim seja e que o planeta assim respire, as insanidade espalhadas por ele logo se consumam, sejam enfermidades efêmeras, aqui, acolá, onde for que ela esteja. Ainda que EUA não sejam exemplo acabado mas que preferível diante de qualquer reboco. Alianças táticas servem a objetivos estratégicos. Se eles sao circunstâncias ou temporários, não importa desde que sejam em comum. (Alceo Rizzi é jornalista)

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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