O filho do General

Pedro Ribeiro

 

O general de reserva do Exército e Vice-presidente da República, Hamilton Mourão, parece ter sido atraído pela atmosfera que reina sempre entre os políticos de dentro e do entorno do poder central do País. Logo ele, que a seu modo, sempre se mostrou combatente da usurpação que historicamente o Estado Brasileiro tem sido vítima por grande parte da classe politica brasileira. Ainda que haja o beneplácito da dúvida, recai sobre ele a legítima imaginação de contribuir na nomeação a novo cargo para seu filho.

Mas não deixa e ser um deslize neste momento, pelo cargo que agora ocupa, sai em defesa do filho, funcionário do Banco do Brasil, alçado à assessoria da presidência da instituição com salário triplicado em valores, de R$ 12 mil para R$ 36,3 mil. No segundo posto de representação mais importante do País, como vice-presidente, o general não tem mais um único filho. Deve ter como família todos os cidadãos brasileiros, e por decorrência, merecedores, também,  das mesmas atenções e de igualdade de oportunidades.

Sair em defesa de um familiar alçado a cargo de alta remuneração em uma instituição sob a influência do governo da União, sem que antes o próprio filho ou o presidente do Banco do Brasil se manifestassem, foi no mínimo um descuido e  um grande equívoco.


” Foi por mérito, o resto é fofoca” declarou o vice-presidente, como bom e zeloso pai que quer o bem estar da família e do filho, mas convenhamos, na prática seu gesto pouco difere da visão  que grande parte da classe politica está acostumada: a do Estado Brasileiro como generoso provedor.

Ainda que o filho tenha todos e merecidos méritos para ocupar o novo cargo a que foi agora designado e que tenha sido injustiçado por pretensa identificação anterior de sua paternidade em governos que passaram, fica a sensação pública de conduta avessa. Mesmo que o Vice-Presidente não tenha envolvimento direto na promoção do filho, mas bastaria apenas um singelo comentário que por ventura ele fizesse ao novo presidente do Banco do Brasil sobre sua existência  como funcionário da instituição, já  seria o suficiente.

O vice presidente poderia ter-se eximido dessa polêmica que ocupam manchetes dos noticiários, alguns com claro propósito de desgastar o novo governo. Poderia ter dito que a relação com seu filho é apenas de afeto recíproco, mas que no âmbito profissional não interfere. E que, se alguém ou a imprensa tivesse interesse em obter informações a respeito, que procurasse diretamente o filho e o presidente do BB para que dessem as devidas explicações.

O País precisa ser colocado a limpo e isso implica em novas condutas, foi com esse propósito e tentativa que os brasileiros elegeram o novo presidente tendo o general Morão como vice. Ainda que não retire a credibilidade e a esperança no novo governo por uma grande parte da população,  notícias como essa da promoção do filho, servem apenas para desgastar. E dar contraponto de argumentação a quem reclamar que nos governos do PT, os filhos de Lula foram beneficiados, alguns deles saindo do zoológico para o cenário de bem sucedidos empresários brasileiros ou de uma dessas milhares de ONGs que proliferaram no País.

 

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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