O golpe final. É o fim do mito

Pedro Ribeiro


Quem sabe, a partir de hoje, as coisas voltem ao normal e os brasileiros poderão, efetivamente, pensar em eleger um novo presidente da República e, de preferência, que não esteja manchado pela corrupção. Luiz Inácio Lula da Silva está fora. Ontem, prevaleceu o bom senso e parte dos guardiões da Constituição entendeu que não caberia impedir a prisão do ex-presidente, condenado há 12 anos e 30 dias em segunda instância.

Quem assistiu a entrevista do juiz Sérgio Moro na TV Cultura pode observar que sua tranquilidade em relação à decisão do Supremo Tribunal Federal era a certeza de que daria, em seguida, ordem de prisão ao líder petista. Mais ainda: Moro também nos deixou transparecer que existem mais podridão que permeia o reinado de quase 15 anos de um dos maiores líderes da oposição no país.
Os 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex, que, segundo a Justiça, recebeu a título de propina da construtora OAS, pode ser apenas o começo de uma longa jornada de acusações e comprovações de corrupção e há, quem sustente, nos meios jurídicos, que nos outros seis casos em que foi denunciado, podem render mais de um século de cadeia. Lula é acusado de receber R$12,5 milhões em propinas da Odebrecht, incluindo um apartamento no prédio onde mora, em São Bernardo.

Após a decisão do STF, Lula teria comentado que, efetivamente, estaria fora da disputa eleitoral. Mas não é o que deseja as lideranças petistas que, em discursos inflamados sustentam a manutenção da candidatura à Presidência da República mesmo que seu líder vá para a cadeia, como é o previsto.

Nota do PT

Em nota, a Comissão Executiva Nacional do PT disse que “Hoje é um dia trágico para a democracia e para o Brasil. Nossa Constituição foi rasgada por quem deveria defendê-la e a maioria do Supremo Tribunal Federal sancionou mais uma violência contra o maior líder popular do país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao negar a Lula um direito que é de todo cidadão, o de defender-se em liberdade até a última instância, a maioria do STF ajoelhou-se ante a pressão escandalosamente orquestrada pela Rede Globo.
E ao pautar o julgamento do habeas corpus de Lula, antes de apreciar as ações que restabelecem a presunção da inocência como regra geral, a presidenta do STF determinou mais um procedimento de exceção.
Esse direito fundamental, que fatalmente voltará a valer para todos, não valeu hoje para Lula.
Não há justiça nesta decisão. Há uma combinação de interesses políticos e econômicos, contra o país e sua soberania, contra o processo democrático, contra o povo brasileiro.
A Nação e a comunidade internacional sabem que Lula foi condenado sem provas, num processo ilegal em que juízes notoriamente parciais não conseguiram sequer caracterizar a ocorrência de um crime.
Lula é inocente e isso será proclamado num julgamento justo.
O povo brasileiro tem o direito de votar em Lula, o candidato da esperança. O PT defenderá esta candidatura nas ruas e em todas as instâncias, até as últimas consequências.
Quem tem a força do povo, quem tem a verdade ao seu lado, sabe que a Justiça ainda vai prevalecer. Comissão Executiva Nacional do PT

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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