O ódio de Bolsonaro da imprensa. Isso é ruim ou bom para o seu governo?

Pedro Ribeiro

bolsonaro pesquisa líder américa latina maduro

 

De repente, o presidente Jair Bolsonaro resolveu batizar a imprensa, como um todo e não apenas a Rede Globo, da qual parece ter ódio mortal, de “Geni” e jogar tudo o que não dá certo em seu governo, no colo da mídia sem sequer fazer uma seleção, um filtro. Sim, para Bolsonaro e seus filhinhos queridos, que vivem fazendo cacas, a imprensa virou o pinico do mundo, como se não houvesse jornais como o Valor Econômico, que traduz com fidelidade os assuntos econômicos do país e fora dele, editoriais do jornal O Estado de São Paulo, que publica com isenção temas que retratam não apenas as crises no governo, como na economia, política, saúde, segurança pública, infraestrutura e outros de interesse da sociedade.

“Sem jornalismo público, independente e qualificado o futuro da democracia é incerto e preocupante”. Chegou a hora da verdade para governantes e políticos. A sociedade está cansada da empulhação. Os culpados pela esbórnia com o dinheiro público, independentemente da posição que ocupem na cadeia corruptora, devem ser exemplarmente punidos. E isso não significa, nem de longe, ruptura do processo democrático, golpismo ou incitamento à radicalização. (Carlos Alberto Di Franco).

Mesmo no seu jeitão estabanado de dialogar ou conversar, Bolsonaro está nas manchetes, nas páginas de política e nas discussões midiáticas. É estrela. Criticado ou apoiado. Todos os dias.

A pergunta que se faz. Será que tudo isso não faz parte de um jogo estudado, manifestação de uma estratégia pensada e implementada? O que parece bagunça e impulsividade, algo que incomoda e irrita, não estará no cerne de um novo estilo de fazer política?

As críticas aos governantes, mesmo injustas, fazem parte do jogo. Governo e imprensa não podem ter uma relação promíscua. Bolsonaro tem que descer do palanque e assumir o papel de presidente de todos os brasileiros. É preciso também, como bem colocou Di Franco em um de seus artigos, que “nós, jornalistas, deponhamos as armas da militância e façamos jornalismo. O jornalismo precisa fazer a leitura correta dos acontecimentos. É preciso informar com objetividade. Esclarecer os fatos sem a distorção dos filtros ideológicos ou partidários.

Nesta quinta-feira, pelo Twitter, Jair Bolsonaro disse que sua família tem a vida vasculhada desde 1988, quando foi eleito pela primeira vez. Além disso, o presidente atacou a imprensa mais uma vez, classificando-a como inimiga. “Enquanto lutamos entre nós o inimigo se fortalece. Não temos como agradar a todos, vasculham minha vida e de minha família desde 1988, quando me elegi vereador. Nossa inimiga: a grande imprensa. Ela não nos deixará em paz. Se acreditarmos nela será o fim de todos”, publicou.

Vale lembrar que durante a campanha, a imprensa sempre esteve ao lado de Bolsonaro e foi, também, a imprensa uma das grandes responsáveis pelo derretimento do PT, após a prisão do chefe Luiz Inácio Lula da Silva. Foi a imprensa que escancarou a corrupção no Brasil, da Petrobras ao Mensalão. É claro que Bolsonaro tem inimigos na imprensa, como a Rede Globo, que vem fazendo uma devassa na vida particular de seus filhos, mas não se deve generalizar.

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.