O perigo do governo Bolsonaro está na saúde, onde 150 milhões de brasileiros dependem do SUS

Pedro Ribeiro

 

Enquanto as equipes do governo Bolsonaro pautam suas agendas em temas como segurança pública, reativação da economia, acordos com Congresso Nacional, corrupção e demissões, lembramos que existem, hoje, no Brasil, perto de 150 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer uma consulta, exame ou cirurgia e ninguém toca no assunto. De posse desses dados, o Conselho Federal de Medicina (CFM) entende que diante dessa demanda, a melhoria da qualidade da rede pública de saúde pode ser um desafio para o governo recém-empossado.

Se assistimos a cenas dantescas no Ceará, onde a bandidagem, do crime organizado, desafia o governo e toca terror, também nos deparamos que situações nada confortáveis em hospitais públicos, com pessoas esperando em enormes filas para serem atendidas e muitas delas acomodadas em corredores por falta de infraestrutura e pessoal qualificado, entre médicos, enfermeiros e atendentes. Estados e municípios cumprem, com orçamentos, a Lei de Responsabilidade Fiscal com atendimento à saúde mas ainda faltam recursos.

Outro desafio do novo governo é aumentar o acesso da população ao saneamento básico, já que a falta de redes de água e esgoto também onera os cofres da saúde pública. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cada Real investido em saneamento gera uma economia de 4,3 reais em gastos com saúde.

Para Ricardo Barros (PP-PR), que foi ministro da Saúde no governo Michel Temer, o problema não está no montante de recursos para o setor, mas na gestão do sistema. “Se nós tivermos os agentes comunitários de saúde – todos eles técnicos de enfermagem – dando resolutividade à visita domiciliar e um bom modelo de compra de medicamentos, através de transferências tecnológicas que nos permitam reduzir custos, os recursos para a saúde serão suficientes para atender à demanda dos brasileiros”, acredita ele.

Segundo a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), integrante da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, estados e municípios já colocam mais dinheiro na saúde do que a Constituição obriga, mas os gastos sempre aumentam. “O orçamento da Saúde é limitado, a inflação nessa área é sempre maior do que a inflação geral em função do aumento dos insumos no setor, tanto medicamentos quanto materiais que normalmente superam a inflação”, afirma.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.