O poder da prepotência

Pedro Ribeiro


 

A escritora portuguesa, Ines Pedrosa, no livro “Fazes-me falta”, afirma que “políticos não precisam de amigos. Precisam de corte”. Vou um pouco além. A corte, para os políticos é descartável. Às duras penas, o ex-todo poderoso Deonilson Roldo, Secretário Chefe de Gabinete e secretário de Comunicação de Beto Richa, vai descobrindo essa realidade. Na entrevista que deu a um dos jornais da capital, o ex-governador não defendeu nem tampouco apoiou o principal nome da sua corte, acusado em delação de orquestrar uma concorrência pública. Pelo contrário, atirou à fogueira e cobrou publicamente uma explicação sobre a denúncia.

A força de Roldo era tanta que o seu poder recebera o apelido de “Opus Déo”, em uma clara referência à Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei, ou simplesmente Opus Dei, instituição hierárquica da igreja católica conhecida por seus métodos autoritários, tecnocratas e discretos. Discreto, Deonilson exercia como poucos a sua autoridade no Palácio Iguaçu.

Abandonado à sorte por seu próprio ex-chefe, Deonilson Roldo também foi esquecido muito rápido pela corte palaciana e legislativa. Nem mesmo o seu restaurante, antes reduto dos poderosos, ponto obrigatório da classe política na capital cívica do estado, mantém a mesma intensidade de frequentadores. Os “habitués” sumiram.  Já não encontram no local o que procuravam. Além da excelente comida e ambiente acolhedor, a possibilidade de ter na mesa ao lado um secretário de estado, um deputado ou algum empresário com fortes ligações no universo político, era quase que certa. Agora, ao contrário, os poderosos da nova corte não podem frequentar o restaurante cinco estrelas e os membros da corte anterior preferem evitar a aproximação.

Em roda pequena, a poucos ouvidos, o que muitos ex-amigos e outros, nem tão amigos, afirmam que “se o poder é efêmero, o poder com prepotência é efêmero e o seu fim é cruel”.

Não acredito que Deonilson Roldo, que poucos dias antes de deixar o Palácio Iguaçu me envia um whats me açoitando, com seu poder, inclusive de polícia, em função de uma simples críticas que fiz ao seu comando máximo na corte, seja penalizado pela justiça, apenas pelo áudio, mas o estrago foi grande. Publiquei nota dizendo que todas as contratações em nível de assessoria que envolvia diretamente o governador Beto Richa tinha que passar pelas suas mãos, pois era ele quem decidia. Não gostou e disse que eu não tinha legitimidade para criticar. Pois ele tem muita legitimidade.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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