Olho aberto, ouvido atento e a cabeça no lugar, governador Ratinho Junior

Pedro Ribeiro


Haverá pressão com anúncio de medidas, demissões e até contratações que não agradam ao conjunto da equipe que desenhou a formatação de políticas públicas e de um novo governo que sinalize para o crescimento e desenvolvimento. Sim, o termômetro vai subir e a chapa pode esquentar. É assim todo início de mandato e o novo governador do Estado do Paraná, Carlos Roberto Massa Junior, tem consciência dessa espinhosa e perigosa travessia.

Aos 37 anos, o menino que nasceu na rua José Maria de Paula, no centro de Jandaia do Sul, herdou a veia política do pai, Carlos Roberto Massa, o Ratinho, que foi vereador na cidade, cargo que também ocupou em Curitiba e deputado federal. O apresentador Ratinho, que saiu do rádio e da televisão de Curitiba, ganhou representatividade e expressão nacional e caiu no gosto da população brasileira, por sua ousadia e principalmente por falar a linguagem do povo.

“O Junior está preparado para governar o Paraná. Além da experiência no legislativo estadual e federal, se destacou na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e vem estudando para assumir o mais alto cargo do executivo paranaense. Eu estou muito orgulhoso e o que mais quero, hoje, é que ele transmita sua serenidade, dignidade e honestidade em sua gestão para que não apenas eu, mas todos nós paranaenses tenhamos orgulho do nosso governador”, disse Ratinho, durante um breve encontro que tivemos no Bar Stuart, em Curitiba, na semana passada.

Ratinho Junior passou pela transição, montou sua equipe, abraçou e beijou a governadora Cida Borghetti, mas saiu atirando após saber oficialmente sobre o passivo que terá que administrar, além das ações de última hora adotadas pelo governo. Esperamos que, a partir de agora, o novo ocupante do Palácio Iguaçu esqueça o passado e foque no presente e futuro, porque o Paraná é muito maior do que pequenas intrigas naturais nas transições.

Já nas primeiras semanas de janeiro saberemos se Ratinho Junior, que assume dia primeiro, continuará  a manter o serenidade, o equilíbrio e a maturidade política que vem demonstrando desde que foi eleito em outubro deste ano. Desde que saiu das urnas vitorioso, se recolheu em postura de comedimento para formatar sua equipe e com ela, aos poucos, ir traçando as diretrizes de cada setor da administração, sem ficar se esbaldando em declarações desnecessárias e as vezes desconexas da realidade e da liturgia do cargo que vai assumir.

Mesmo na fase de transição, adotou postura de respeito e consideração à equipe que está deixando o comando do governo, a melhor maneira de se obter dela a boa vontade necessária para colher as informações detalhadas de cada setor da administração do Estado. Se vai descobrir, mais à frente, com acesso amplo a todas as informações, que houve irregularidades e atos administrativos não republicanos, pela conduta que vem adotando, tomará as providências cabíveis para a responsabilização de seus autores.

O que ninguém aguente mais é essa lenga-lenga de eleitos ficarem justificando suas inapetências e despreparos para cargos executivos declarando a toda hora que assumiu uma herança maldita, que não tem dinheiro em caixa, que isso ou aquilo outro. Curitiba na gestão passada consumiu quase um ano, senão mais choramingando e reclamando a todo instante de déficit orçamentário, de rombos e irregularidades etc. e tal, e foi uma das mais pífias gestões que a cidade se lembra em sua História.

Nem mesmo o atual alcaide, dado incontinências verbais, reclamou tanto, e ao que se diz, também herdou uma prefeitura quebrada. Mas não ficou em lamúrias e parece que a cidade aos poucos readquire sua vitalidade.

Essa mania de reclamar sempre dos administradores que os antecederam, tem sido práticas comuns em nossa política provinciana, uma espécie de guarda-chuva ou cortina de fumaça onde se oculta a insegurança e o despreparo de quem está assumindo. Não é a toa que na maioria os casos esses pretensos administradores, prejudicados pelas heranças malditas que alegam, dificilmente conseguem obter o reconhecimento da cidade em eleições futuras.

Aconteceu  na mais recente eleição de Curitiba e se olharmos também para quem já ocupou o cargo de prefeito, como Roberto  Requião, a tese se confirma. O senador em final do mandado teve desempenho fraco entre os eleitores da cidade, ele que já foi prefeito e três vezes governador do Estado.

Pelo que demonstra, o novo governador do Paraná já deve ter percebido essa espécie de maldição que recai sobre esses políticos e ex-administradores que, quando não ficam apenas choramingando pelos cantos, destilam agressividades gratuitas que a ninguém beneficiam.

A imersão que fez durante o período de transição sobre os assuntos de interesse do estado, identificando desperdícios e propondo a reformatação do tamanho e da qualidade da máquina pública, é um sinal alentador que o futuro governador emite a seus eleitores. E a todo o povo do Paraná.

O que o paranaense espera do futuro governador, é que ele mantenha essa serenidade e equilíbrio e enquanto administrar o estado, tenha ouvido absoluto, como os autistas tem em seus aspectos de genialidade, e perceber as áreas em que a orquestra desafina nas notas e substituir quem não sabe tocar seu instrumento.

“Olho aberto, ouvido atento, e a cabeça no lugar” – governador.

E que faça um bom governo, é o que todos desejamos!

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal