Os entraves da economia e o choro dos desmamados

Pedro Ribeiro


O poderoso futuro Ministro da Economia do próximo Governo, Paulo Guedes, não tem apenas como desafio fazer o País voltar a crescer depois da recessão profunda provocada pelo desastre que foi a administração do petismo, principalmente a partir do governo Dilma. Combater o déficit fiscal previsto para o próximo ano de 259 bilhões, para que o País adquira novamente a capacidade de investimento e volte a crescer para possibilitar a geração de empregos, é um dos principais e imediatos problemas que ele tem pela frente.

Mas há outros entraves com os quais ele vai ter que se defrontar ao longo do processo, além da já prevista necessidade de enxugamento da máquina administrativa com a venda de muitas das 400 empresas estatais, que só no ano passado consumiram do Tesouro Nacional um volume de recursos da ordem de 9,3 bilhões para permanecerem em pé, equivalente ao déficit entre o que geraram de riqueza e o prejuízo que deram.

Uma das questões que se colocam é a das agências reguladoras, criadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso, com a finalidade de dar ordenamento, regulamentar e fiscalizar atividades de muitas áreas da economia brasileira.

Elas acabaram se transformando em cabiderias de empregos, foram aparelhadas pelos governos do sindicalismo populista de Lula e Dilma, muitas com fortes suspeitas de corrupção, perderam a essência a que se propunham e acabaram se transformando em aliadas de lobbyes e de interesses de setores das áreas de atividades econômicas que deveriam fiscalizar.

Ou alguém está satisfeito como vem sendo tratadas as áreas de saúde privada e telefonia móvel, apenas para ficar em dois exemplos? Setores onde as empresas deitam e rolam, pintam e bordam, fazem gato e sapato, sempre com argumentação técnica diante da complacente incompetência ou má fé das agências, por não dominarem ou conhecimento das respectivas áreas. São duas áreas em que se avolumam denúncias e queixas de consumidores e se desconhece quais as medidas punitivas que receberam ou deveriam receber. Ao contrário, expandem serviços de qualidades questionáveis.

O que acontece com as agências é o mesmo que ocorreu na maior parte das estatais, onde criaram empregos e vagas para abrigar apadrinhados. Houve caso de sindicalistas e outros, inclusive advogados, nomeados para o Conselho de Administração de Itaipu, gente que não distinguia kilowats de megawatts, porque não estavam no domínio de suas frequências. Melhor que estas agências sejam extintas, se não forem dotadas de quadros técnicos, comprometidos e com honestidade de propósitos com para como País.

Nesse emaranhado de óbices a serem destravados para impulsionar a economia, há ainda a questão da necessária maior flexibilidade da legislação trabalhista, o que, ao que tudo indica, está sendo pontuada pela futura equipe econômica do governo como também prioritária.

A área trabalhista brasileira é uma bagunça, durante anos serviu apenas para criar e alimentar sindicatos que foram cooptados pelo projeto de governo do petismo. Sindicalismos mais ideológicos e propineiros que necessários à real defesa de interesses de trabalhadores, todos graciosamente financiados pela extinta contribuição sindical obrigatória e dinheiro do FAT, recursos dos contribuintes.

Para se ter uma ideia dessa farra sindical, basta dizer que até recentemente, o Brasil tinha a escandalosa cifra de nada menos que 17 mil sindicatos com registros oficiais do Ministério do Trabalho. Vergonha para qualquer brasileiro honesto e de bom senso. O segundo país do mundo com maior número de sindicatos, é a África do Sul, com 191, seguido dos Estados Unidos com 190 e o Reino Unido com 168, o que dá a noção exata do descalabro em que se transformou a área sindical brasileira.

Sindicalistas que perderam a mamata com o fim da contribuição compulsória, com a derrotada do modelo sindical populista da companheirada, estão agora desesperados com a disposição do próximo do governo de extinguir o Ministério do Trabalho e fazer novos e necessários ajustes na legislação trabalhista.

É só deixar que os desmamado batam seus bumbos á vontade.

É o que mais sabem fazer!

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal