Pandemia aumenta no Paraná e números são preocupantes

Pedro Ribeiro

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Os números não podem ser escondidos. São, portanto, transparentes, estão à disposição da sociedade e especialistas sustentam que a alta dos casos e mortes da covid estão relacionados a um maior relaxamento das pessoas em relação às medidas de proteção contra a pandemia.

“A pandemia não passou, estamos ainda longe disso. O número de casos está aumentando no Paraná e as autoridades sanitárias terão que tomar medidas de proteção com a ampliação dos números de leitos nos complexos hospitalares, pois com as férias e festas de fim de ano haverá aglomeração maior de pessoas e a situação só tende a piorar”, alerta o deputado estadual e ex-secretário de Estado da Saúde, Michelle Caputto.

O sinal vermelho acende em todos os lados. Embora a chamada segunda onda da covid, vivenciada em vários países europeus, ainda não mostrou força no Brasil que continua penalizado pela primeira onda, ou seja, ainda não saiu dela, o momento é crítico e de preocupação, observa Caputto que coordena a Frente Parlamentar de Combate à Pandemia do Coronavírus na Assembleia Legislativa.

Embora o Paraná conte com um sistema de saúde robusto, diz Caputto, o momento é de cautela e as recomendações são as mesmas: distanciamento social e uso de máscaras e álcool gel. “Houve um relaxamento durante o período eleitoral, o que deve ser corrigido agora, e é preciso conscientização maior por parte dos jovens em relação às saídas para bares, restaurantes e baladas”, pontua o deputado.

RECURSOS PARA VACINA

Caputto e integrantes da equipe da frente parlamentar estão visitando os institutos de pesquisas, laboratórios e indústrias que estão desenvolvendo a vacina para combater a doença. A Assembleia Legislativa destinou R$ 100 milhões e aprovou outros R$ 100 milhões dentro do orçamento do Estado para investir na compra de vacinas que estão, no momento, na fase três. “Queremos saber tudo sobre a eficácia, produção, custo e distribuição”, afirmou.

A vacina contra o coronavírus será essencial para prevenção da covid-19, pontua Caputto.”Fiquei assustado agora há pouco, acabei de receber o informe do Hospital do Trabalhador em Curitiba. Estamos com 100% das vagas de UTI ocupadas no complexo”, disse.

Para quem acha que segunda onda é conversinha, para quem acha que está tudo certo, saiba que está cada vez mais difícil. Enquanto não tiver a vacina, enquanto não tiver o efeito da imunização de rebanho, não adianta ficar indo na conversa mole”. “Conversa mole é achar que o problema já passou. Sou contra reabrir a Assembleia Legislativa para trabalhos presenciais. Não é o momento para abrir porque em Curitiba, em muitas regiões do Paraná, o quadro é igual ou pior do que já passamos. É só acompanhar os números. Isso não é sensacionalismo, isso não é demagogia e muito menos ideologia. Por favor, vamos continuar tomando todos os cuidados necessários”.

O ex-secretário de Saúde e hoje deputado estadual foi um dos primeiros parlamentares do Estado a manifestar preocupação com o coronavírus. “Em fevereiro deste ano realizei a primeira audiência pública na Assembleia Legislativa, pois já percebia, à época, que teríamos sérios problemas com a expansão da doença no país. Hoje, nossa preocupação maior é com a vacina e não faço politicagem com a vacina, não admito isso. Exijo transparência, porque não se brinca com a vida”.

Caputto criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro em relação à pandemia. “Sou crítico do negativismo e ignorância em relação à saúde”, disse.

Pelo sexto dia consecutivo Curitiba registra mais de 700 casos novos de Covid-19. A marca inédita desde o início da pandemia de coronavírus acendeu a luz de alerta na Secretaria Municipal da Saúde.

PERDENDO O MEDO

Para a secretária Márcia Huçulak, o comportamento da população é fator determinante na escalada de casos na capital. “O curitibano perdeu o medo”, diz.

Em entrevista ao Paraná Portal, a secretária municipal da Saúde afirma que a pasta acompanha com preocupação o crescimento da taxa de transmissão do coronavírus em Curitiba.

“Muitas pessoas do grupo de risco estão circulando, às vezes sem necessidade. Voltamos a reforçar: é necessário circular o mínimo possível, evitar aglomerações e espaços fechados”, afirma Huçulak.

De acordo com a secretária, o mês de novembro repete o movimento observado em junho e julho: primeiramente, os hospitais da rede privada esgotam os leitos para Covid-19. Na sequência, o gargalo da rede pública aperta.

“Dois grandes hospitais privados de Curitiba não tinham mais leitos para internar pacientes com Covid-19”, informou Huçulak. “Hoje as nossas UPAs amanheceram bem carregadas”.

Em Curitiba, cerca de 40% da população têm acesso à rede privada de Saúde. Outros 60% dependem exclusivamente do SUS.

Apesar de reconhecer a escalada de casos na capital paranaense, a secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak, afirma que ainda não é possível prever o endurecimento das medidas de restrição para o controle da pandemia.

Segundo a pasta, o sistema de bandeiras é fundamentado em indicadores técnicos. O cálculo, geralmente, é apresentado às sextas-feiras.

CORONAVÍRUS: 700 CASOS POR DIA

Em dois dias, Curitiba registrou 10 mortes e 1.508 novos casos de Covid-19. O boletim desta segunda-feira (16) também abrange os números de ontem (15), já que não houve divulgação oficial neste domingo de eleições.

A média de domingo e segunda-feira repete o cenário observado desde a última quarta-feira (11).

Com 6.849 casos ativos da doença, Curitiba caminha para quebrar o recorde estabelecido em julho (7.992), quando acreditava-se que a capital havia atingido o pico da pandemia.

O acompanhamento dos casos ativos é fundamental, uma vez que são estes os pacientes com o maior potencial de transmissão do coronavírus.

A escalada de casos coincide com os feriados de outubro e novembro, além da flexibilização das medidas de restrição na cidade.

COVID-19 EM CURITIBA

• Mortes: 1.569 (+ 10)
• Casos confirmados: 60.856 (+ 1.508)
• Casos ativos: 6.849 (+ 1.144)
• Recuperados: 52.438

(Pedro Ribeiro com Angelo Sfair)

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal