Papa não fez milagre e Chico Buarque paga mico

Pedro Ribeiro


 

 

Sabe aquela frase “ Vá se queixar ao bispo “ que o Brasil de norte a sul utiliza quando alguém quer dar por encerrada a discussão sobre alguma pendência porque percebe que não adianta muita conversa?

Pois é!

Foi o que Chico Buarque de Holanda fez logo após a eleição do novo presidente, Jair Bolsonaro, tentando dar fecho com chave de ouro a um ano que não lhe foi lá ideologicamente muito generoso. Isso sem falar que a sua presidenta, Dilma Roussef a mesma que deu cargo de  ministra da Cultura a sua irmã, Ana Cristina, havia sido enxotada do cargo que ocupava dois anos antes.

Mas Chico é o Chico, bispo é bispo e Papa é Papa.

Tem que se respeitar a hierarquia das coisas.

Nosso bravo e talentoso compositor decidiu então dispensar intermediários e sem passar pelo escalão inferior da hierarquia religiosa, foi falar diretamente com quem manda. Embarcou para Roma e foi bater às portas do Vaticano para audiência olho no olho com o Papa, falou do Brasil pensando com seus botões  que o Padre Eterno que nunca foi lá e olhando aquele inferno vai abençoar o que não tem governo nem nunca terá.

Repetiu a missão e o roteiro de dois anos antes da atriz paranaense Letícia Sabatella, que foi pedir a intervenção do Papa para restituir o cargo de sua presidenta afastada da República brasileira. Prudentemente, ambos não convidaram como dama da companhia a deputada Manoela D’Avila, evitando assim a pergunta indiscreta que poderia ser feita pelo Papa se não existe mesmo pecado suado e resgado debaixo do Equador, ele que é argentino e conhece tão bem os pecados do populismo peronista, partido co-irmão do PT.

Mas Chico é Chico, Letícia Sabatela é apenas Letícia Sabatela.

Tem que respeitar a hierarquia das coisas.

A missão a que o compositor se dispôs era mais árdua, mais difícil e de um milagre desses que só a interveniência divina da Providência com a ajuda fervorosa do comandante da Igreja pode ser alcançado, não acontece toda hora na longa e milenar história do cristianismo.  Mas gênios têm dessas coisas, às vezes alguns neurônios se desprendem e eles perdem a noção da realidade, avançam a fronteira e os limites do ridículo, acreditam ser tudo possível.

Chico Buarque foi ao Vaticano pedir pela intervenção do Papa para a libertação de seu grande timoneiro, Luiz Inácio Lula da Silva, presidiário confinado á uma das celas da Polícia Federal em Curitiba, após condenação a 12 anos de cana por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Essa falta de percepção que ás vezes acomete as pessoas dotadas de alguma genialidade é que levou o grande compositor á Roma e pagar o mico da conversa com o Papa. Estivesse mais atento, bastaria embarcar para Brasília e bater às portas de algum ministro do Supremo Tribunal Federal, como Marco Aurélio de Mello, que, numa canetada solitária, tentou livrar a cara do grande guru do compositor determinando sua soltura na véspera da Suprema Corte entrar em recesso.

Chico Buarque não é conhecido pela falta de modéstia, talvez tenha considerado que falar diretamente com o Papa, o resultado de sua missão aconteceria mais rapidamente. Não fosse isso, teria talvez ido então se queixar diretamente ao bispo, expressão essa que  tem origem no Brasil Colonial, quando estes religiosos eram os ouvidores da Coroa, maneira mais rápida de fazer chegar uma reclamação ao imperador.

A depender de seus esforços na busca pela intervenção de autoridades religiosas para tentar a soltura de seu líder, a situação ficou ainda mais complicada agora para nosso bravo compositor. Todos sabem que o presidente eleito é evangélico, deixou de ser católico há alguns anos, quando conheceu sua segunda mulher com quem vive no Rio de Janeiro, na mesma cidade de Chico Buarque.

Talvez fosse mais fácil ao compositor fazer uma visitinha ao presidente eleito!

 

 

 

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal