Para Barros, não haverá blocos de derrotados contra o governo

Pedro Ribeiro


 

Embora discreto, por representar o governo, como líder na Câmara Federal, o paranaense Ricardo Barros (PP), foi um dos articuladores de bastidores para a eleição de Arthur Lira na casa, dando sustentação ao presidente Jair Bolsonaro. Primeiro, para evitar um possível impeachment e para dar apoio às reformas e solicitações do Executivo, principalmente na área econômica.

“O Congresso é reformista, mas não foi lhe dada a oportunidade de expressar no plenário”, disse Barros após a vitória de Arthur Lira. Ele não acredita que haverá blocos de derrotados contra o governo e sustentou que tanto o DEM como o MDB estão alinhados com o Palácio do Planalto.

Barros disse que não haverá dificuldades para formar maioria e aprovar as reformas necessárias ao Brasil, inclusive com o apoio de partidos que não estiveram na chapa de Lira.

O líder ressaltou a importância da agenda econômica e informou que a ampliação do Bolsa Família, e não um novo auxílio emergencial, é o cenário do Governo para a área social.

PRIORIDADES DOS GOVERNO

Para Ricardo Barros, as privatizações e a autonomia do Banco Central são matérias prioritárias que nós devemos enfrentar já no início dos trabalhos. Também são prioridades instalar a comissão da Reforma Administrativa e ver se publicamos o relatório da Reforma Tributária, para iniciar os debates na Casa. Aguardamos, do Senado, o Pacto Federativo e a PEC Emergencial [Proposta de Emenda à Constituição 186/19, que viabiliza reduções de gastos].

AGENDA ECONÕMICA

A agenda econômica é a autonomia do Banco Central, agora em princípio. Depois, a desindexação, descarimbar o dinheiro público, que é o Pacto Federativo. E os gatilhos que nós precisamos estabelecer para as despesas públicas serem contidas: precisamos conter a despesa e manter o teto de gastos.

PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRAS

Não teríamos dificuldade de votar aqui a privatização da Eletrobras, desde que asseguradas as proteções necessárias. É preciso haver um acordo que preserve os investimentos nas Regiões Norte e Nordeste, onde há um déficit de linhas de transmissão.

ORÇAMENTO NA ÁREA SOCIAL

O cenário em análise é a ampliação do Bolsa Família. Votar o Orçamento é fundamental, é uma das matérias importantes do Congresso; precisamos votar o Orçamento e, dentro dele, encontrar espaço para ampliar o Bolsa Família, atendendo mais brasileiros.

MINISTÉRIOS

Não vejo ambiente para reforma ministerial. Eu penso que haverá o deslocamento do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, para a Secretaria-Geral da Presidência da República.

APOIO DE PARTIDOS ÁS REFORMAS

O Democratas já está alinhado com o Governo e o MDB também está alinhado com o Governo. O PSDB é um partido que não será base do Governo, mas tem compromisso programático com as reformas, então votará conosco. Não vejo dificuldades na articulação para formar maioria e votar as reformas de que o Brasil precisa.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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